A GBP/USD subiu ligeiramente na sexta-feira, recuperando de mínimos intradiários à medida que o apetite pelo risco melhorou com rumores de um possível entendimento político entre os EUA e o Irão. O par negociava perto de 1,3460 e estava a caminho de terminar a semana praticamente inalterado. A Reuters citou uma fonte iraniana que afirmou ter sido alcançado um acordo, embora ainda não finalizado, na sequência de notícias sobre uma proposta de memorando de entendimento de 60 dias para prolongar o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz. Em comentários separados, Donald Trump disse que o bloqueio naval a portos iranianos seria levantado e exigiu que o Irão abdicasse de uma arma nuclear, apelando ainda à abertura do estreito sem portagens para o tráfego marítimo em ambos os sentidos.
O tom mais brando pressionou o dólar norte-americano, beneficiando a libra, numa altura em que o Índice do Dólar (DXY) negociava em torno de 98,80, depois de ter tocado na quinta-feira um máximo de sete semanas em 99,54. Os preços do petróleo recuaram, com o WTI perto de 86 dólares por barril e a encaminhar-se para a primeira queda mensal em cinco meses, embora se mantenha acima dos níveis pré-guerra, mantendo os riscos inflacionistas no radar. A atenção da política monetária manteve-se na inflação e nas taxas: Andrew Bailey, do BoE, apontou para fragilidade económica e incerteza relacionada com a guerra, enquanto Jeff Schmid, presidente da Fed de Kansas City, destacou o argumento a favor de uma postura mais restritiva. O foco da próxima semana inclui as leituras preliminares dos PMI e o relatório norte-americano do emprego (Employment Situation Report), que abrange os NFP, a taxa de desemprego e o crescimento salarial.
Os riscos globais aliviam e surge divergência de política monetária
Vemos o potencial de um acordo EUA-Irão como um evento relevante de redução de risco (“de-risking”) para a economia global. O impacto imediato tem sido um recuo nos preços do petróleo, com o crude WTI a cair quase 8% em maio, a primeira perda mensal desde dezembro de 2025. Isto alivia alguma pressão sobre o dólar enquanto ativo de refúgio, permitindo a recuperação de moedas como a libra esterlina.
A força recente da libra poderá ser de curta duração, dado que o Banco de Inglaterra parece ter virado para uma postura mais cautelosa. O governador Bailey está claramente preocupado com a fragilidade económica, uma visão apoiada pelo mais recente S&P Global/CIPS UK Composite PMI, que registou 48,9, indicando contração da atividade do setor privado. Isto sugere que o ciclo de subidas de taxas do BoE, que levou a Bank Rate para 5,50%, deverá estar, por agora, concluído.
Em contraste, a Reserva Federal dos EUA parece comprometida com um maior aperto da política monetária para combater uma inflação persistentemente elevada. A leitura mais recente do Core CPI dos EUA, de 3,8% em termos homólogos, permanece bem acima do objetivo de 2% da Fed, reforçando a mensagem “hawkish” por parte dos responsáveis do banco central. Esta divergência crescente entre políticas de bancos centrais é um tema dominante que, acreditamos, irá orientar os mercados cambiais nas próximas semanas.
Implicações de trading e principais dados a acompanhar
Para traders de derivados, este contexto sugere uma potencial queda da volatilidade no mercado petrolífero. Com o principal fator de risco geopolítico a aliviar, o CBOE Crude Oil Volatility Index (OVX) poderá recuar a partir dos níveis elevados observados durante o conflito. Acreditamos que estratégias que beneficiem de uma descida da volatilidade, como a venda de straddles sobre futuros de petróleo, podem tornar-se atrativas.
Tendo em conta a divergência de política monetária, antecipamos uma fragilidade subjacente no par GBP/USD assim que o alívio associado às notícias sobre o Irão se dissipe. Estamos a considerar usar opções para posicionamento para uma queda, possivelmente através da compra de opções put com um alvo abaixo do nível de 1,3300. Isto proporciona uma forma de risco definido para apostar num dólar mais forte e numa economia do Reino Unido mais estagnada.
Olhando para a próxima semana, o relatório de emprego dos EUA (Nonfarm Payrolls) será o dado crítico. O consenso de mercado aponta para um aumento em torno de 190.000 empregos, e um número forte validaria a postura “hawkish” da Fed e poderia acelerar a recuperação do dólar. Acompanharemos este relatório de perto, pois poderá ser o catalisador para o próximo grande movimento nos mercados cambiais e de taxas de juro.
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