A libra esterlina reduziu perdas face ao dólar norte-americano na quinta-feira, mas manteve-se perto de um mínimo de dois meses atingido no dia anterior. Os dados do mercado de trabalho do Reino Unido ofereceram pouco apoio antes da decisão do Banco de Inglaterra, com os mercados a manterem-se cautelosos quanto a novas posições. A taxa de desemprego recuou para 4,9% nos três meses até abril, a partir de 5%, enquanto o emprego líquido aumentou em 100 mil, após 148 mil anteriormente, ainda assim acima do consenso de 80 mil. O crescimento salarial manteve-se firme: os ganhos médios excluindo bónus ficaram inalterados em 3,4% em termos homólogos, face a previsões de 3,2%, e incluindo bónus o crescimento também se manteve estável em 4,4%.
Espera-se que o Banco de Inglaterra mantenha a Bank Rate em 3,75%, após a inflação de maio ter permanecido estável, enquanto um acordo de paz EUA-Irão atenuou as expectativas de um choque energético duradouro. Nos EUA, a Reserva Federal fez na quarta-feira uma “pausa” de tom hawkish, na sua primeira reunião sob Kevin Warsh, mantendo a taxa diretora em 3,50%-3,75% e encurtando o comunicado ao remover formulações que sugeriam um viés para a flexibilização. A Fed apontou para uma atividade e condições do trabalho mais firmes, mesmo com a incerteza relacionada com o Médio Oriente a persistir, e o seu dot plot indicou que quase metade dos responsáveis antecipa uma subida de taxas antes do final do ano; as yields do Tesouro dos EUA subiram e o dólar fortaleceu.
Libra sob pressão em ambiente de cautela do mercado
Estamos a ver a libra britânica com dificuldade em ganhar terreno face ao dólar norte-americano hoje, 18 de junho de 2026, mantendo-se perto dos mínimos recentes. Esta cautela surge numa altura em que os traders não querem assumir apostas significativas antes da iminente decisão de política monetária do Banco de Inglaterra. O mercado mantém-se “pesado” e quaisquer recuperações acabam por ser vendidas.
Apesar do que deveria ser notícia favorável, a fraqueza da libra persiste. Dados recentes mostraram que o crescimento salarial no Reino Unido continua teimosamente elevado, em 5,1%, um nível que mantém as preocupações com a inflação no centro das atenções do banco central. Isto cria uma situação difícil em que boas notícias nos salários acabam por ser más notícias para as expectativas de cortes de taxas de juro.
Em contraste, a Reserva Federal dos EUA parece não ter pressa em aliviar a sua orientação de política, reforçando ainda mais o apelo do dólar. Com a inflação norte-americana a revelar-se persistente em torno de 3,1%, comentários recentes de responsáveis da Fed arrefeceram as expectativas de cortes de taxas no curto prazo. Esta divergência de política é o principal fator que está a direcionar capital para o dólar em detrimento da libra.
Estratégias para navegar a volatilidade
Tendo em conta este enquadramento, acreditamos que o caminho de menor resistência para o GBP/USD é em baixa ou lateral nas próximas semanas. Para traders de derivados, a compra de opções put sobre a libra oferece uma forma de risco definido para se posicionar para maior fraqueza, sobretudo se o BoE sinalizar um tom mais dovish do que o esperado. Esta estratégia beneficia de uma queda na taxa de câmbio, ao mesmo tempo que limita as perdas potenciais caso haja uma recuperação surpresa.
Estamos também a acompanhar a volatilidade implícita, que está elevada antes do anúncio do banco central. Historicamente, o GBP/USD tem registado movimentos abruptos, como a queda para perto de 1,03 observada em setembro de 2022, lembrando-nos o potencial da divisa para ajustamentos súbitos. Assim, os traders deverão considerar estratégias como put spreads para reduzir o custo de entrada, protegendo-se contra uma compressão da volatilidade após o anúncio.
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