Perspectiva da inflação
Também existe o risco de a inflação de 2% não ser atingida até a segunda metade de 2027. Se os preços de energia permanecerem altos por mais tempo, um mercado de trabalho mais fraco e salários crescendo menos podem reduzir a demanda (procura por bens e serviços) e, com o tempo, aliviar a inflação subjacente. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode, no começo, dar mais atenção à inflação cheia mais alta. Se as medidas subjacentes que excluem alimentos e energia esfriarem (perderem força), ele pode considerar cortar os juros (reduzir a taxa básica) algumas vezes mais adiante no ano.Implicações de mercado
A reação imediata para nós no mercado de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como juros ou petróleo) é observar a ponta curta da curva de juros (as taxas de curto prazo). Os futuros de juros (contratos que apostam na taxa futura) já estão reduzindo a chance de um corte no verão, com o primeiro movimento do Fed agora adiado para pelo menos o quarto trimestre. Isso sugere que operações posicionadas para uma curva de juros mais “achatada” (diferença menor entre juros de curto e de longo prazo), em que as taxas curtas ficam altas em relação às longas, podem ser interessantes. Porém, quanto mais tempo os preços de energia ficarem nesse nível, mais isso tende a prejudicar a economia, especialmente com o crescimento dos salários já mostrando sinais de parar. Isso cria um cenário difícil em que inflação cheia alta pode vir junto com demanda econômica enfraquecida. Esse risco de “destruição de demanda” (quando preços altos fazem pessoas e empresas consumirem menos) pode, no fim, reduzir a inflação subjacente mais tarde no ano. Essa diferença entre um CPI (índice de preços ao consumidor) “duro” (indicando inflação alta) e uma perspectiva econômica possivelmente mais “suave” (mais favorável a juros menores) aumenta a volatilidade (oscilações de preço). Vale considerar estratégias com opções (contratos que dão direito de comprar ou vender a um preço) sobre futuros de SOFR (taxa de juros de curto prazo usada como referência nos EUA) ou até o VIX (índice ligado ao nível de medo/volatilidade do mercado) para tentar ganhar com essa incerteza. O custo de hedge (proteção contra movimentos bruscos) deve subir nas próximas semanas. Temos de lembrar as lições do pico de energia de 2022, quando o repasse para a inflação subjacente foi persistente e obrigou o Fed a agir. Mesmo que os números subjacentes esfriem desta vez, o Fed pode ficar preocupado com a inflação cheia se “fixar” (virar algo difícil de reduzir). Isso torna arriscado apostar em um único resultado, seja mais “duro” (hawkish: favorece juros altos para combater inflação) ou mais “suave” (dovish: favorece juros mais baixos para apoiar a economia), neste momento.
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