Destaques detalhados das Vendas no Varejo
Varejistas sem loja (vendas online e por catálogo) registraram alta de 10,9% em relação ao ano passado. Serviços de alimentação e locais de bebidas (restaurantes e bares) subiram 3,9% em relação a janeiro de 2025. Após a divulgação, o dólar americano devolveu parte dos ganhos, enquanto o Índice do Dólar Americano (DXY, uma “cesta” que mede o dólar contra outras moedas importantes) permaneceu acima de 99,00. Uma correção datada de 6 de março às 14:56 GMT disse que o relatório foi divulgado na sexta-feira, e não na terça-feira. Este relatório de janeiro, embora um pouco melhor do que o esperado, confirma que o gasto do consumidor está desacelerando. A sequência de aumentos de juros (alta da taxa básica, que encarece crédito e financiamentos) ao longo de 2025 provavelmente já começa a pesar no orçamento das famílias. Com isso, é razoável esperar que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) reduza o tom “duro” (hawkish: postura de priorizar juros mais altos para conter a inflação) nos próximos meses. A probabilidade de corte de juros na reunião de junho, segundo dados do CME Group (grupo que opera grandes bolsas de derivativos, como futuros e opções), já subiu para 35%, de 20% na semana passada. Isso sugere que operadores podem olhar para opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço definido) em ETFs (fundos negociados em bolsa) de títulos do Tesouro, se posicionando para queda dos rendimentos (yields: retorno pago por um título) caso essa fraqueza do consumo continue. Vimos padrão parecido em 2023, quando o mercado tentou se antecipar a uma mudança de rumo na política do Fed.Implicações para posicionamento de mercado
Para quem opera ações, o relatório mostra uma divisão clara. A fraqueza nas vendas gerais é um sinal negativo para ETFs amplos de consumo discricionário (empresas ligadas a gastos não essenciais), o que pode levar traders a comprar opções de venda (put: ganha valor quando o ativo cai) como proteção. Já a força específica de varejistas sem loja dá suporte a uma visão mais positiva para grandes empresas de comércio eletrônico e de tecnologia. Essa tendência reforça o que foi visto no último trimestre de 2025, quando ações de consumo discricionário ficaram 4% atrás de bens essenciais (consumer staples: produtos básicos do dia a dia, como alimentos e higiene). Uma operação de pares (pairs trade: comprar um ativo e vender outro ao mesmo tempo para apostar na diferença de desempenho), ficando comprado em bens essenciais (XLP) e vendido em discricionário (XLY), parece bem sustentada por estes novos dados. O crescimento das vendas online sugere que opções de compra (call: ganha valor quando o ativo sobe) em grandes varejistas de tecnologia continuam sendo uma estratégia possível. A força recente do dólar americano também pode sofrer pressão após este relatório. O índice do dólar (DXY) subiu mais de 8% em 2025, principalmente pela expectativa de que os juros dos EUA ficariam mais altos por mais tempo do que em outros países. Este novo dado vai contra essa ideia central. Com isso, vale observar se o DXY consegue se manter acima de 99,00. Se não conseguir, pode ser um sinal para começar a comprar opções de compra em moedas como euro ou iene japonês contra o dólar. O próximo relatório de inflação será decisivo para ver se a desaceleração do consumo está levando a preços mais baixos.
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