Decisão do Banco do Japão e orientação
Se o Banco do Japão não anunciar aumento de juros em 28 de abril, a atenção pode ir para a orientação (sinalização sobre os próximos passos) indicando que um movimento em junho é provável. Sem aumento ou sinal claro, aumenta a chance de o nível de 160 ser testado de novo. O cenário também depende de o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, grupo do Fed que decide os juros) ainda manter espaço para um corte de juros neste ano. A projeção central do Rabobank é USD/JPY em 158 em três meses e 152,00 em seis meses, com base em um Banco do Japão mais “duro” (mais inclinado a subir juros) e um Federal Reserve mais inclinado a “afrouxar” (reduzir juros). O iene voltou a ser a moeda mais fraca do G10 neste ano, com o dólar/iene perto de 160. Isso aumenta o medo de intervenção cambial (quando o governo compra ou vende moeda para mexer na cotação) pelo Ministério das Finanças do Japão. Isso aconteceu em abril e maio de 2024, quando as autoridades gastaram mais de ¥9 trilhões para apoiar a moeda depois que ela passou exatamente desse nível. Agora, o foco é a reunião do Banco do Japão na próxima semana, marcada para 27 de abril. Não esperamos alta de juros, mas a falta de sinal forte para junho pode empurrar o par acima de 160. Isso provavelmente forçaria uma reação das autoridades financeiras.Reunião do Federal Reserve e posicionamento em opções
A reunião do Federal Reserve em 3 de maio também deve influenciar a direção do par. Os dados recentes de inflação nos EUA têm sido resistentes, com a última leitura do núcleo do PCE (índice de preços de gastos com consumo pessoal, excluindo itens mais voláteis) em 2,8%, o que deixa o Fed mais cauteloso para indicar cortes de juros. Um tom mais “duro” do FOMC tende a aumentar a pressão de alta do dólar contra o iene. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como câmbio), manter posições compradas diretas em dólar/iene é muito arriscado, porque pode haver uma reversão (virada) rápida e forte. Comprar opções de compra de JPY (call: direito de comprar iene a um preço definido) ou opções de venda de USD/JPY (put: direito de vender o par a um preço definido), com vencimento (prazo até expirar) de um a três meses, pode ser mais prudente. Essa estratégia pode ganhar com uma recuperação do iene e limita a perda máxima. A ameaça de intervenção mantém a volatilidade implícita elevada (expectativa do mercado, embutida no preço das opções, sobre o quanto o preço pode oscilar). A volatilidade de um mês está em 11,2%, acima de cerca de 8,5% no começo do ano. Isso torna interessantes os straddles ou strangles (estratégias com opções para lucrar com grande oscilação, sem precisar acertar a direção) para quem espera um grande movimento após as reuniões dos bancos centrais, mas não sabe para que lado. Assim, é possível se beneficiar de uma grande movimentação, seja uma alta acima de 160 ou uma queda forte por causa de intervenção.
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