Mercados mostram pouca reação imediata
Os movimentos do mercado citados junto com a reportagem mostraram os índices dos EUA em alta no momento da publicação. O índice Nasdaq Composite (um índice de ações com muitas empresas de tecnologia) subia 1,15% no dia, enquanto o S&P 500 (índice das 500 maiores empresas dos EUA) subia 1%. O mercado está, por enquanto, ignorando uma ameaça direta contra grandes empresas dos EUA, com o S&P 500 fechando acima de 5.400. O Índice de Volatilidade da CBOE (VIX, um indicador de “medo” do mercado que mede a expectativa de oscilações do S&P 500) está perto de 14, um nível baixo, sugerindo pouca preocupação nos preços. Como a ameaça cita empresas como Apple, Google e Tesla, o mercado de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido até uma data) mostra pouca preocupação imediata. A volatilidade implícita (a oscilação “esperada” embutida no preço das opções) em opções de 30 dias dessas empresas chegou a mínimas de seis meses na semana passada. Comprar puts de proteção (opções de venda usadas como “seguro” contra queda) nessas ações pode ser uma forma mais barata de reduzir risco em caso de ataque direcionado. Uma estratégia mais ampla seria comprar puts fora do dinheiro (opções de venda com preço de exercício abaixo do preço atual, que custam menos, mas só ganham valor se cair bastante) no Nasdaq 100 (QQQ, um ETF — fundo negociado em bolsa — que acompanha o Nasdaq 100) ou no S&P 500 (SPY, um ETF que acompanha o S&P 500) com vencimento nas próximas semanas. Como o VIX está baixo, esses contratos tendem a estar mais baratos e podem dar um retorno desproporcional se a tensão geopolítica aumentar de repente. Mesmo um evento pequeno pode causar uma queda rápida, ainda que temporária, nas ações.Mercado de energia e risco geopolítico
Também é importante considerar o impacto no mercado de energia, já que qualquer conflito na região ameaça rotas de fornecimento de petróleo. O petróleo WTI (referência de preço do petróleo nos EUA) está estável perto de US$ 85 por barril, mas essa notícia pode empurrar o preço para perto de US$ 100, como em crises anteriores. Opções de compra (calls, contratos que ganham valor se o preço subir) em futuros de petróleo (contratos para comprar ou vender petróleo numa data futura) ou em ETFs do setor de energia podem ir bem se a situação piorar. Lembramos que o mercado inicialmente minimizou as tensões no Estreito de Ormuz (passagem marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado) no fim de 2025, antes de uma alta repentina na busca por segurança. Esse evento causou uma queda breve de 4% no S&P 500 e fez os futuros de petróleo subirem 15% em apenas dois pregões (dias de negociação). A história sugere que essas ameaças não devem ser ignoradas, mesmo que pareçam teatro no começo.
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