A ING afirma que o recuo do real brasileiro face ao dólar norte-americano está cada vez mais alinhado com uma reprecificação das taxas de juro, à medida que um contexto de dólar mais forte e riscos políticos e comerciais internos pressionam o BRL. O banco aponta para preocupações em torno das taxas de aprovação do Presidente Lula, discussões envolvendo Flávio Bolsonaro e uma ameaça renovada de tarifas norte-americanas de 25%, sugerindo que o USD/BRL poderá corrigir em direção a 5,14.
A nota acrescenta que as taxas locais de curto prazo têm estado sob pressão vendedora desde o final da semana passada, o que indica que a moeda está a acompanhar os movimentos das taxas de juro domésticas. No início do ano, os mercados chegaram a precificar a taxa diretora do Banco Central do Brasil em queda para 12,50%, a partir de um ponto de partida de 15,00%, mas as expectativas mudaram e o próximo movimento a partir de uma taxa diretora de 14,50% é agora visto como uma subida. A ING enquadra ainda o suporte ao BRL como estando ligado ao seu elevado carry e ao estatuto do Brasil como exportador líquido de energia, assumindo que não ocorre um pico expressivo das yields dos EUA e do dólar.
Força do dólar norte-americano e dinâmica das taxas locais
Estamos a ver o ambiente de dólar norte-americano forte a criar ventos contrários para o real brasileiro. Com a Reserva Federal dos EUA a manter a sua taxa diretora no intervalo 5,25%-5,50%, estão reunidas as condições para uma correção no par USD/BRL. Acreditamos que a taxa de câmbio poderá mover-se em direção a 5,14 nas próximas semanas.
No plano interno, o mercado está a ajustar-se rapidamente à realidade da nossa própria situação de taxas de juro. Embora o mercado tenha começado o ano a antecipar cortes, a inflação persistente — que recentemente voltou a subir para perto de 5,8% — alterou essa perspetiva. Agora, os investidores consideram a possibilidade de uma subida de taxas a partir da atual taxa diretora de 14,50%.
Posicionamento estratégico de trading e suporte subjacente
Para traders de derivados, este cenário sugere posicionamento para uma continuação, mas controlada, de enfraquecimento do real. A compra de opções call de curto prazo sobre USD/BRL com preços de exercício próximos de 5,10 ou 5,14 poderá capturar diretamente este movimento antecipado. Quem já detenha posições long em real deverá considerar o uso de puts para cobertura contra esta potencial depreciação.
Ainda assim, não esperamos um colapso acentuado da moeda. Os elevados retornos do Brasil continuam a oferecer uma das operações de carry trade mais atrativas a nível global, proporcionando um forte incentivo para os investidores comprarem em quedas. O nosso estatuto de exportador líquido de energia, com as exportações de crude a manterem-se robustas, também oferece um piso fundamental para a moeda.
Este suporte subjacente cria oportunidades para estratégias geradoras de rendimento. A venda de puts fora-do-dinheiro (out-of-the-money) sobre USD/BRL com preços de exercício abaixo do nível psicológico de 5,00 poderá ser uma operação viável. Esta estratégia permite aos traders encaixar prémio, capitalizando na convicção de que o elevado carry do real impedirá uma queda mais severa.
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