O Índice de Preços no Consumidor (IPC) da Colômbia subiu 5,84% em termos homólogos em maio, abaixo do consenso de mercado de 5,91%. A divulgação aponta para uma dinâmica inflacionista ligeiramente mais branda do que o previsto no período.
O desvio entre a leitura efetiva e as expectativas foi de 0,07 ponto percentual. O valor do IPC fornece uma medida atualizada das pressões sobre os preços na economia colombiana e influenciará as avaliações de curto prazo sobre as tendências da inflação.
Implicações para a política monetária e posicionamento de mercado
A leitura da inflação de maio, abaixo do esperado, de 5,84%, reforça a nossa visão de que o banco central deverá continuar o seu ciclo de flexibilização monetária. Este valor sugere que a desinflação está a avançar mais rapidamente do que o antecipado, dando aos decisores mais justificação para cortar taxas na próxima reunião. Vemos isto como um sinal claro para posicionamento em taxas de juro mais baixas na Colômbia.
Face a estes dados, acreditamos que o peso colombiano deverá enfraquecer face ao dólar norte-americano no curto prazo. Procuramos comprar opções call de USD/COP com vencimentos no final de julho, visando um movimento em direção a 4.250. A atual precificação de mercado implica agora uma probabilidade superior a 80% de um corte de 50 pontos base ainda este mês, o que pressionaria adicionalmente o peso.
Oportunidades e riscos nos mercados locais
Vemos também uma oportunidade no mercado local de taxas, em particular através de receção de taxa fixa em swaps IBR com maturidades nos próximos 6 a 12 meses. O mercado ainda não incorporou totalmente a possibilidade de uma sequência de cortes mais agressiva, agora que a inflação está claramente em trajetória descendente. Historicamente, a parte mais curta da curva de rendimentos tem registado rallies significativos quando a inflação surpreende em baixa durante um ciclo de flexibilização.
No caso das ações, este enquadramento é favorável para o índice MSCI COLCAP, uma vez que custos de financiamento mais baixos deverão beneficiar as empresas locais. Estamos a considerar opções call sobre o índice, que já ganhou mais de 4% desde o último corte de taxas em abril, e esta notícia deverá dar novo impulso. Setores sensíveis às taxas, como financeiros e utilities, deverão ter um desempenho superior.
No entanto, é necessário acompanhar qualquer comentário mais hawkish por parte de membros do banco central, uma vez que a inflação de 5,84% continua bastante acima da meta de 3%. Além disso, uma queda súbita dos preços do petróleo, um dos principais produtos de exportação, ou uma alteração no sentimento de risco global poderá inverter rapidamente qualquer fraqueza do peso. Estes fatores externos continuam a ser um risco principal para as nossas posições.
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