Riscos de inflação e balanço externo
Parceiros de mercados desenvolvidos têm crescimento de salários que segue resistente (difícil de cair), o que ajuda a manter a inflação alta. Isso criou diferenças de preços em relação ao norte da Ásia. Essas diferenças de preços derrubaram as taxas de câmbio efetivas reais (REER: valor da moeda contra uma cesta de moedas, ajustado pela inflação) na Ásia-Pacífico (APAC). O baixo crescimento de salários na APAC, comparado aos mercados desenvolvidos, aumentou a pressão para baixo no REER. Uma nova onda global de inflação causada por oferta (choques de oferta: alta de preços por falta/encarecimento de insumos, como energia) pode mudar como o câmbio se ajusta. Nesse cenário, moedas da APAC podem suportar níveis mais altos de REER. Se os REER subirem, as diferenças de valuation (avaliação: quão “cara” ou “barata” a moeda parece) podem diminuir. O ajuste viria pela inflação, e não por pressão de preços puxada por salários.Implicações para estratégia de moeda
Economias do norte da Ásia enfrentam riscos de oferta que podem afetar o balanço de pagamentos. Mesmo que bancos centrais usem ferramentas fiscais (medidas do governo) para reduzir o impacto dos preços de energia, a inflação cheia tende a subir no curto prazo. Isso deve levar a uma resposta de política monetária (decisões de juros e crédito) que favorece moedas mais fortes. Essa nova dinâmica de inflação vem de fatores externos, diferente do que ocorreu em parceiros de mercados desenvolvidos, onde salários resistentes foram o principal motivo. Isso cria uma grande diferença de avaliação, com os REER do norte da Ásia parecendo bem deprimidos (abaixo do normal). A alta recente de commodities (matérias-primas), com o petróleo subindo 12% no último mês para acima de US$ 90 o barril, é um exemplo de choque global de oferta. Esse cenário abre espaço para moedas subavaliadas se fortalecerem, ajudando a reduzir a inflação importada (alta de preços que vem de produtos comprados no exterior). O REER do won sul-coreano, por exemplo, ainda está 8% abaixo da média de cinco anos, uma diferença que pode começar a fechar. Essas economias podem suportar, e até aceitar, um câmbio real mais alto. Traders (operadores do mercado) podem considerar se posicionar para valorização de moedas do norte da Ásia contra o dólar e o euro nas próximas semanas. Com derivativos (contratos financeiros que “derivam” do preço de um ativo), isso pode envolver comprar opções de compra (call: direito de comprar a moeda a um preço definido) sobre o won coreano ou entrar comprado em contratos a termo (forward: acordo de compra/venda futura a um preço combinado) do dólar taiwanês. O perfil risco-retorno (equilíbrio entre ganho potencial e perda possível) melhorou com essa mudança no cenário global de inflação. Dados recentes do Ministério das Finanças do Japão mostram que os preços de importação de fevereiro de 2026 subiram 3,5%, o ritmo mais rápido em mais de um ano, aumentando a pressão sobre autoridades. Isso reforça a ideia de que bancos centrais da região tendem a permitir que suas moedas subam para absorver choques externos de preços. Isso torna posições compradas (apostar em alta) em moedas como o iene mais atraentes, já que uma moeda mais forte vira uma ferramenta para manter preços estáveis.
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