O euro manteve ligeiros ganhos face ao dólar norte-americano na quarta-feira, depois de os dados de inflação dos EUA terem exercido uma pressão moderada sobre o “greenback”. O EUR/USD negociava perto de 1,15548, a subir 0,15% na sessão. Nos EUA, o CPI total abrandou para 0,5% em termos mensais em maio, após 0,6% em abril, enquanto o CPI subjacente desacelerou para 0,2% face a 0,4%, ficando abaixo das expectativas de 0,3%.
Em termos homólogos, o CPI acelerou para 4,2% face a 3,8%, o ritmo mais rápido desde abril de 2023, e a inflação subjacente subiu para 2,9% face a 2,8%; ambos em linha com as previsões. O índice do dólar (DXY) oscilou em torno de 99,85, enquanto os mercados mantiveram, em grande medida, uma reavaliação “hawkish” das expectativas de taxas da Fed, com a formação de preços a apontar cada vez mais para uma subida até ao final do ano. As atenções viram-se agora para a decisão do BCE na quinta-feira, onde os mercados já incorporam totalmente uma subida de 25 pontos base, e para a orientação de Christine Lagarde quanto ao trajeto a seguir.
Contrastes da economia dos EUA e implicações para a política da Reserva Federal
Estamos perante sinais contraditórios da economia dos EUA a 10 de junho de 2026. O mais recente Índice de Preços no Consumidor (CPI) de maio mostrou a inflação a arrefecer para 3,3%, ligeiramente abaixo das previsões. No entanto, o mercado de trabalho continua surpreendentemente forte, com a economia a criar 272.000 empregos no mês passado, complicando o caminho a seguir pela Reserva Federal.
Estes dados sugerem que a Fed deverá permanecer em pausa, adiando as expectativas de quaisquer cortes de juros no curto prazo. Para os traders de derivados, isto limita o potencial de subida do US Dollar Index, que tem tido dificuldades em ultrapassar recentemente o nível de 105,50. Consideramos que este ambiente é propício a estratégias de negociação em intervalo no dólar, como a venda de “strangles” em pares cambiais baseados no USD.
Divergência da política do Banco Central Europeu e estratégias de negociação para o EUR/USD
Em contraste, o Banco Central Europeu acaba de iniciar o seu ciclo de flexibilização com um corte de 25 pontos base na taxa de juro na semana passada. Embora tenha sinalizado uma pausa, esta divergência de política monetária mantém a pressão sobre o par EUR/USD. Isto torna atrativas opções que apostem na fraqueza do euro face ao dólar, como a compra de “puts” no EUR/USD.
A volatilidade implícita nos mercados cambiais encontra-se atualmente baixa, com o VIX a oscilar em torno de 12,5, o que, historicamente, torna a compra de opções relativamente barata. Tendo em conta a divergência de políticas, estamos a considerar posições longas em volatilidade que beneficiem de um movimento significativo, particularmente em baixa no EUR/USD. Isto poderá envolver a compra de opções de venda (“puts”) para capitalizar uma potencial fraqueza do euro nas próximas semanas.
Este enquadramento faz-nos recordar o período de 2014-2015, quando uma divergência semelhante de política monetária levou a uma valorização sustentada do dólar norte-americano. Importa também manter a atenção às tensões geopolíticas no Médio Oriente, que podem reforçar inesperadamente a procura do dólar como ativo de refúgio. Por isso, quaisquer posições baixistas no euro deverão ser cobertas contra eventos súbitos de aversão ao risco.
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