Fraqueza do dólar impulsiona o euro
O Índice do Dólar dos EUA (DXY — medida do valor do dólar contra uma cesta de moedas) ficou em torno de 98,00, no menor nível desde 2 de março. O dólar também caiu após dados mais fracos do Índice de Preços ao Produtor (PPI — mede a variação de preços cobrados pelos produtores/indústrias, antes de chegar ao consumidor) de março. O PPI cheio (headline — número total, sem retirar itens mais voláteis) subiu 0,5% na comparação mensal, abaixo da expectativa de 1,2%, e repetiu a leitura anterior de 0,5%, que foi revisada para baixo (ajustada) de 0,7%. Na comparação anual, o PPI subiu 4,0%, abaixo da previsão de 4,6%, e acima dos 3,4% anteriores. Os preços do petróleo seguem altos no geral, e o mercado está precificando (ou seja, incorporando nos preços) cerca de duas altas de juros do Banco Central Europeu. A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a Europa não está no centro do impacto negativo e que a política seguirá dependente de dados (decisões guiadas pelos números econômicos), sem viés de aperto (sem sinal de que os juros necessariamente vão subir). O FMI (Fundo Monetário Internacional) projetou crescimento da zona do euro de 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, abaixo de 1,3% e 1,4%. Para os EUA, vê 2,3% em 2026 versus 2,4%, e 2,1% em 2027 versus 2,0%.Foco do mercado vai para a perspectiva de política
Com a ação recente dos preços, vemos o par EUR/USD rompendo (passando com força) uma resistência importante para chegar a 1,1800, nível não visto desde a escalada do conflito EUA-Irã no início do ano passado. Esse movimento é alimentado por um dólar mais fraco, já que as tensões geopolíticas parecem estar diminuindo e a inflação no nível do produtor mostra sinais de desaceleração. Operadores devem ver isso como possível mudança na tendência de médio prazo, favorecendo o euro. O PPI fraco é um fator-chave, sugerindo que o Federal Reserve (Fed — banco central dos EUA) pode manter uma postura paciente na política monetária (decisões sobre juros e liquidez). Porém, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI — mede a inflação paga pelo consumidor final) de março de 2026 mostrou que a inflação cheia segue “teimosa” (difícil de cair) em 3,5%, bem acima da meta do Fed. Essa diferença entre preços mais fracos no produtor e preços ainda altos no consumidor complica o cenário e pode limitar a queda do dólar se os custos para o consumidor continuarem elevados. O otimismo com as conversas EUA-Irã reduz a procura por dólar como porto seguro, mas esse sentimento é frágil. Basta lembrar como o mercado reagiu em 2025 quando as tensões aumentaram, fazendo o petróleo disparar e fortalecendo o dólar. Assim, embora a tendência atual favoreça posições compradas em euro (apostar na alta do euro), traders de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como opções) devem considerar proteção (hedge — operação para reduzir perdas) com opções de venda (puts — ganham valor se o preço cair) de EUR/USD fora do dinheiro (out-of-the-money — com preço de exercício que hoje não gera ganho imediato) para se proteger de uma piora nas negociações. Uma diferença importante está surgindo entre o que o mercado espera e o que o BCE comunica. Os contratos futuros de juros (apostas/contratos sobre o nível de juros no futuro) indicam 70% de chance de pelo menos duas altas de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual) pelo BCE até o fim de 2026, enquanto Lagarde mantém uma postura dependente de dados e sem compromisso. Isso indica que os próximos dados de inflação da zona do euro serão decisivos para confirmar essa visão mais “dura” (hawkish — mais inclinada a subir juros para conter inflação) ou forçar uma reprecificação mais “leve” (dovish — mais inclinada a manter/baixar juros), o que pode limitar os ganhos do euro.
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