O EUR/USD oscilou em torno de 1,1550 na quinta-feira, com o euro a manter-se praticamente inalterado antes de uma esperada subida de taxas pelo Banco Central Europeu (BCE), enquanto os mercados se concentravam na orientação sobre a trajetória futura da política monetária. Uma subida de 25 pontos-base é amplamente antecipada, mas a incerteza quanto ao ritmo de novos apertos e as preocupações com as perspetivas da Zona Euro mantiveram o posicionamento contido antes do anúncio.
O dólar norte-americano encontrou suporte depois de os dados de inflação dos EUA mostrarem o CPI (índice de preços no consumidor) em termos homólogos nos 4,2% em maio, enquanto o CPI subjacente subiu para 2,9% em termos homólogos, com o choque energético associado à guerra com o Irão a continuar a ser um risco para o cenário inflacionista. No gráfico de 4 horas, o par situava-se abaixo da média móvel simples (SMA) de 100 períodos em 1,1609, enquanto negociava acima da SMA de 20 períodos em 1,1540; os níveis de resistência foram assinalados em 1,1559 e 1,1573. O RSI perto de 46 apontava para um momentum contido, com suporte em 1,1549 e 1,1535 caso a pressão vendedora aumente.
Dinâmica de mercado e perspetivas da política do BCE
Tendo em conta que o EUR/USD está a negociar perto de 1,1550, entendemos que o mercado está preso entre duas forças opostas antes da reunião do Banco Central Europeu. Uma subida de 25 pontos-base está quase totalmente incorporada nos preços, mas estamos mais focados na orientação do BCE, uma vez que dados recentes mostraram que a produção industrial alemã contraiu inesperadamente 0,5% em abril de 2026. Esta fragilidade económica subjacente na Zona Euro está a limitar o potencial de valorização do euro, mesmo com uma subida de taxas.
Entretanto, o dólar norte-americano mantém-se firme porque a inflação nos EUA está a mostrar-se persistente, uma situação agravada pelo choque energético em curso associado à guerra com o Irão. O relatório mais recente, relativo a maio de 2026, mostrou que o Índice de Preços no Consumidor se mantém nos 4,2% em termos homólogos, muito acima do objetivo da Reserva Federal. Isto é semelhante a crises energéticas do passado, como na década de 1970, quando a inflação permaneceu elevada durante anos, sugerindo que a Fed tem pouca margem para considerar cortes de taxas.
Estratégias com derivados e níveis de negociação
Para os traders de derivados, este enquadramento sugere que a volatilidade implícita — que já subiu para mais de 11% nas opções com vencimento na próxima semana — é atrativa para vendedores. Acreditamos que o EUR/USD deverá permanecer dentro de um intervalo estreito definido por suporte em torno de 1,1535 e resistência forte em 1,1609. Assim, estamos a considerar vender strangles ou implementar iron condors para captar prémio desta consolidação esperada.
No entanto, o risco de um movimento brusco após a conferência de imprensa do BCE não pode ser ignorado, uma vez que qualquer comentário inesperadamente dovish poderá quebrar o suporte frágil. Para nos protegermos contra isso, estamos também a comprar opções de venda (puts) baratas, fora do dinheiro, com strikes abaixo de 1,1500. Isto funciona como uma cobertura de baixo custo caso o banco central sinalize o fim do ciclo de aperto, o que provavelmente provocaria uma queda rápida do par.
Nas próximas semanas, antecipamos que, mesmo que o BCE suba as taxas, um tom cauteloso sobre a política futura pesará sobre o euro. Historicamente, quando um banco central sobe taxas mas sinaliza preocupação com a economia, a moeda tende a enfraquecer numa reação do tipo “comprar no rumor, vender no facto”. Isto reforça a nossa visão de que qualquer força acima de 1,1600 é uma oportunidade para iniciar posições baixistas via futuros ou spreads de puts com prazos mais longos.
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