Decisão do Banco do Japão no centro das atenções
O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, disse que a inflação subjacente (inflação “por trás” dos números, geralmente sem itens muito instáveis como alimentos e energia) está caminhando para a meta de 2%, e que a política será definida para entregar uma inflação estável e sustentável. A atenção segue na decisão do BoJ na quinta-feira. O euro ganhou apoio com a queda do petróleo, depois que vários navios-tanque (navios que transportam petróleo) passaram com segurança pelo Estreito de Hormuz (rota marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo do Oriente Médio). O mercado também espera que grandes economias liberem reservas de petróleo (estoques guardados por governos) para compensar possível interrupção de oferta. O foco também vai para o Banco Central Europeu (BCE, o banco central da zona do euro) na quinta-feira, quando a taxa principal de refinanciamento (Main Refinancing Rate, o juro básico usado pelo BCE para empréstimos de curto prazo aos bancos) deve ficar em 2,15%. Os mercados de juros (preços e apostas do mercado sobre o rumo das taxas) já consideram como certo um aumento de juros até julho. Em 2022, o euro representou 31% das transações globais de câmbio (FX, abreviação de “foreign exchange”, compra e venda de moedas), com volume médio diário acima de US$ 2,2 trilhões. EUR/USD responde por cerca de 30% de todas as negociações, seguido por EUR/JPY com 4%, EUR/GBP com 3% e EUR/AUD com 2%.Considerações de estratégia para as próximas semanas
O par EUR/JPY está em torno de 185,50, um cenário bem diferente do que vimos em 2025. No ano passado, o Banco do Japão mantinha a política sem mudanças enquanto o BCE ainda avaliava alta de juros. Agora, essa relação está mudando, e precisamos ajustar as posições para as próximas semanas. O Banco do Japão encerrou na semana passada a política de juros negativos (quando a taxa fica abaixo de zero, e o dinheiro “custa” para ficar parado), levando a taxa principal para 0,10% pela primeira vez desde 2007. Essa mudança acontece porque a inflação “núcleo” (core, medida que costuma tirar itens muito voláteis para mostrar a tendência) do Japão ficou acima da meta de 2% por quase dois anos, chegando a 2,8% na leitura mais recente de fevereiro. Mesmo com essa alta, o iene segue fraco, então ainda é preciso observar intervenção das autoridades japonesas, tanto verbal (declarações para tentar mexer no mercado) quanto direta (compra ou venda efetiva de moedas). Do outro lado, o BCE mantém a taxa principal em 4,0%, mas o debate passou a ser corte de juros. Com a inflação mais recente da zona do euro caindo para 2,6%, os mercados de juros estimam 75% de chance de o primeiro corte ocorrer até junho. Isso contrasta com 2025, quando o mercado ainda esperava mais aperto monetário (juros mais altos e condições de crédito mais duras). Também vale lembrar que o “vento a favor” (fator que ajudava) da queda do petróleo, que apoiou o euro no ano passado, se inverteu. O petróleo bruto (crude, o petróleo antes de ser refinado) agora fica perto de US$ 85 por barril por preocupações persistentes com a oferta, o que pressiona a economia da zona do euro, que importa energia. Esse custo maior de energia pode limitar a alta do euro contra o iene. Para quem opera derivativos (produtos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como opções e futuros), essa mudança sugere que a tendência de alta de EUR/JPY está perdendo força. A diferença de juros (gap, distância entre taxas de dois países) que antes aumentava agora deve diminuir, deixando posições compradas (apostar na alta) menos interessantes. Vale considerar comprar opções de venda (put, contrato que tende a ganhar valor se o preço cair) ou montar um bear put spread (estratégia com duas puts: compra uma e vende outra, para reduzir custo e limitar ganho) para se proteger de uma possível queda do par no próximo mês.
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