Revisão da inflação da Zona do Euro
A inflação subjacente (inflação “núcleo”, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco para reduzir oscilações temporárias) caiu para 2,3% ao ano, ante 2,4% em fevereiro. A ata (registro do que foi discutido e decidido) da reunião do BCE (Banco Central Europeu) de 19 de março sai mais tarde nesta quinta-feira, antes da próxima reunião de política monetária (decisão sobre juros) em 29–30 de abril. Os mercados ainda precificam duas altas de juros de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual) neste ano. A Reuters informou que a chance de um movimento em abril é limitada, enquanto uma alta em junho já está quase totalmente prevista nos preços. Na Suíça, a ata do SNB (Banco Nacional Suíço, o banco central do país) citou mais incerteza ligada à guerra no Oriente Médio. O SNB espera crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma do que a economia produz) em torno de 1% em 2026 e cerca de 1,5% em 2027. O SNB disse que um franco suíço mais forte apertou as condições financeiras (crédito e juros ficam mais “duros”), e que a inflação pode subir temporariamente por causa da energia antes de cair. A ata não gerou reação imediata no franco suíço.Divergência na perspectiva de política monetária
Com o aumento da diferença entre as perspectivas dos bancos centrais, vemos espaço para o euro se fortalecer contra o franco suíço. O BCE enfrenta mais pressão com a inflação mais alta, enquanto o SNB segue cauteloso por causa de uma perspectiva econômica incerta. Essa diferença sugere que, nas próximas semanas, o movimento mais provável do EUR/CHF é de alta. O número revisado de 2,6% para a inflação da Zona do Euro é o maior desde julho de 2024 e é um fator central nessa visão. Esse aumento vem principalmente de custos de energia, com o petróleo Brent (referência internacional de preço do petróleo) tendo subido recentemente acima de US$ 95 por barril, um nível não visto desde o fim de 2025. Como a inflação subjacente caiu, isso reduz a pressão generalizada e ainda assim dá ao BCE um ponto claro de atenção, aumentando a chance de um tom mais duro (“hawkish”, isto é, mais inclinado a subir juros para conter a inflação). Do outro lado, as preocupações do SNB com uma economia fraca são apoiadas por dados recentes mostrando queda no setor industrial da Suíça. O PMI (Índice de Gerentes de Compras, uma pesquisa que mede o ritmo da indústria; abaixo de 50 indica contração) ficou em 48,5, o segundo mês seguido de queda, reforçando a postura cautelosa do banco central. Isso torna pouco provável, no curto prazo, qualquer ação do SNB para fortalecer o franco (por exemplo, intervenção no mercado, quando o banco central compra ou vende moeda para influenciar o câmbio). Esse cenário fortalece o uso de opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço determinado até uma data) para tentar capturar uma alta do EUR/CHF antes da reunião do BCE em 29–30 de abril. Comprar opções de compra (calls, que ganham valor quando o preço sobe) com vencimento em maio ou junho permitiria aproveitar uma possível alta puxada por comentários mais duros do BCE. Essa estratégia tem risco definido, limitado ao prêmio (o valor pago pela opção). Observamos que o mercado já começa a refletir essa diferença de perspectivas, uma mudança em relação ao período de menor volatilidade (variação de preço) visto durante grande parte de 2025. A volatilidade implícita (a volatilidade “esperada” embutida no preço das opções) de 1 mês para EUR/CHF está perto de 7,5%, bem acima da média do ano passado de 5,8%. Isso sugere que se posicionar agora pode ser melhor antes de uma possível nova alta de volatilidade perto da reunião do banco central.
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