Risco no Estreito de Hormuz impulsiona busca por segurança
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no fim da segunda-feira que, se o Irã interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, os EUA responderiam com ataques. A alta do petróleo aumentou preocupações com inflação (aumento geral e contínuo de preços) e com as taxas de juros. A menor expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também sustentou o dólar. Traders (operadores de mercado) aguardam os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, um indicador de inflação) dos EUA de fevereiro para novos sinais. O CPI cheio (headline, o número “geral”, que inclui todos os itens) é projetado em 2,4% na comparação anual em fevereiro, enquanto o CPI núcleo (core, que exclui itens muito voláteis como alimentos e energia) é projetado em 2,5%. O texto foi corrigido em 10 de março às 06:40 GMT para dizer que o foco no CPI é mais tarde na quarta-feira, e não na terça-feira. Dado o cenário geopolítico atual, volta a aparecer um padrão visto em 2025: tensões no Oriente Médio tendem a fortalecer o dólar. A ameaça ao fluxo de petróleo no Estreito de Hormuz provoca “fuga para segurança” (investidores saem de ativos arriscados e vão para os mais seguros), e o dólar segue como o principal porto seguro. Isso pode pressionar pares como o EUR/USD nas próximas semanas.Inflação do petróleo e expectativa de cortes de juros pelo Fed
Isso complica o caminho do Fed. A alta do petróleo alimenta a inflação e reduz a chance de cortes de juros no curto prazo. Algo parecido ocorreu no início do conflito na Ucrânia em 2022, quando o Brent (referência internacional do preço do petróleo) passou de US$ 120 por barril, elevando a inflação e levando o Fed a aumentar juros de forma agressiva para conter os preços. O euro fica mais exposto porque a zona do euro importa mais energia do que exporta, então sofre mais com choques no preço do petróleo do que os EUA. No choque inicial de 2022, o EUR/USD caiu rapidamente de acima de 1,13 para abaixo de 1,10 em poucas semanas. A queda para a região de 1,1600 vista em 2025 reflete essa mesma fraqueza em momentos de crise. Para quem opera derivativos (contratos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como moeda ou índice), esse cenário sugere posicionamento para dólar mais forte e maior volatilidade (oscilações mais intensas de preço). Comprar opções de venda (put options, contratos que ganham valor quando o preço cai) no EUR/USD é uma forma direta de lucrar com a queda limitando o risco ao prêmio (o valor pago pela opção). Em períodos de forte estresse geopolítico, índices de volatilidade (medidas do “nervosismo” do mercado), como o EVZ do CBOE para o euro, costumam disparar, deixando estratégias que apostam em volatilidade alta mais interessantes. Fazer hedge (proteção) de posições compradas em euro com puts é uma defesa prudente. Para quem busca uma operação pró-dólar com menor uso de capital, um bull call spread (estratégia com duas opções de compra: compra uma e vende outra a um preço-alvo maior) no Índice do Dólar (DXY, índice que mede o dólar contra uma cesta de moedas) pode funcionar bem. Essa estratégia aposta na alta do dólar, define a perda máxima e reduz o custo inicial em comparação com comprar apenas uma call. Os próximos dados do CPI serão um ponto importante. No trimestre passado, uma diferença de apenas 0,1% no CPI núcleo gerou uma oscilação de 70 pontos no DXY em uma hora, mostrando como o mercado está sensível a surpresas na inflação. Uma inflação acima do esperado tende a reforçar o dólar ao adiar ainda mais a expectativa de cortes de juros pelo Fed.
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