Em meio à postura hawkish do Fed, o ouro atinge o menor nível desde fevereiro e se estabiliza em torno de US$ 4.700

by VT Markets
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Mar 19, 2026
O ouro caiu para um novo nível mínimo desde 6 de fevereiro, recuando para perto de US$ 4.700 no começo do pregão europeu. O movimento veio após a alta do dólar americano, depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizou uma postura mais dura (“hawkish”, ou seja, disposto a manter juros altos para conter a inflação). Dados dos EUA mostraram que o índice de preços ao produtor (PPI, uma medida de inflação “na porta da fábrica”, ou seja, quanto os produtores cobram) subiu 0,7% em fevereiro, após alta de 0,5% no mês anterior. A taxa anual do PPI aumentou para 3,4%, o maior avanço em 12 meses desde fevereiro de 2025.

Perspectiva do Fed e riscos geopolíticos

O Fed elevou sua projeção de inflação PCE (um indicador de inflação baseado nos gastos das pessoas) para o fim do ano, citando riscos de energia mais cara ligados à guerra com o Irã. Também aumentou sua projeção de crescimento para 2026 e indicou um corte de juros neste ano e outro em 2027. No Golfo, infraestrutura de energia foi atacada após ataques de Israel ao campo de gás South Pars, do Irã, descrito como o maior do mundo. O presidente Donald Trump alertou para possível retaliação em grande escala ligada a ativos de energia, enquanto relatos disseram que os EUA avaliavam ampliar a campanha militar e enviar milhares de soldados para a Ásia Ocidental (região frequentemente chamada de Oriente Médio). Os mercados também aguardavam decisões e sinais de política do SNB (banco central da Suíça), do BoE (banco central do Reino Unido) e do ECB/BCE (Banco Central Europeu), além do dado semanal de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA (quantas pessoas pediram auxílio pela primeira vez) e do índice de manufatura do Fed da Filadélfia (um termômetro da atividade industrial). O relatório foi corrigido em 19 de março às 09:02, informando que o PPI do mês anterior foi 0,5%, e não 0,3%. Tecnicamente (análise técnica: leitura do gráfico de preços), o preço rompeu abaixo da região de US$ 5.040–US$ 5.035, que juntava a EMA (média móvel exponencial, uma média que dá mais peso aos preços recentes) de 200 períodos no gráfico de 4 horas e o nível de retração de 38,2% (um nível usado para medir possíveis “respiros” do preço após um movimento). O RSI (Índice de Força Relativa, indicador de “força” do movimento; valores baixos sugerem queda forte) estava em 27,86, com resistência (região onde o preço tende a ter dificuldade para subir) em US$ 4.919,61, depois US$ 5.037,25, e suporte (região onde o preço tende a encontrar “chão”) em US$ 4.843, US$ 4.801,97 e US$ 4.634,48. Com o ouro rompendo suportes importantes e tocando US$ 4.700, a pressão imediata segue para baixo, puxada por um Fed mais duro. A ferramenta FedWatch, da CME (bolsa de derivativos dos EUA; derivativos são contratos que derivam do preço de um ativo) agora indica 85% de chance de os juros ficarem estáveis até a reunião de junho, reforçando o dólar contra ativos sem rendimento (como o ouro, que não paga juros). Isso sugere que alguns traders (operadores) podem considerar comprar opções de venda (put, um contrato que tende a ganhar valor quando o preço cai) ou montar “bear put spreads” (uma combinação de opções para lucrar com queda, com custo menor e ganho limitado) para buscar ganho com nova fraqueza até a região técnica de US$ 4.634.

Considerações de estratégia para a volatilidade

Acreditamos que o principal peso sobre o ouro é o compromisso do Fed de combater a inflação, que, pela leitura anual de 3,4% do PPI, segue resistente. Vimos padrão parecido em 2022 e 2023: o ouro sofreu com altas agressivas de juros antes de fatores geopolíticos levarem a uma virada. Uma queda sustentada abaixo do nível psicológico e técnico de US$ 4.800 pode dar mais força aos vendedores e levar a uma correção mais profunda no curto prazo. Porém, a escalada do conflito no Golfo Pérsico aumenta a incerteza e torna posições vendidas diretas (apostar na queda sem proteção) mais arriscadas. Os contratos futuros (acordos para comprar ou vender no futuro a um preço definido) do petróleo Brent já passaram de US$ 130 por barril nesta semana, o maior nível desde os choques de oferta do fim de 2025, sinalizando que o mercado leva a sério o risco de um conflito maior. Nesse cenário, pode fazer sentido considerar opções de compra (call, contrato que tende a ganhar valor quando o preço sobe) baratas e “fora do dinheiro” (out-of-the-money: com preço de exercício distante do preço atual, mais baratas) como proteção caso o ouro dispare como “porto seguro” (ativo buscado em crise) se a situação piorar. As forças opostas de política monetária (decisões de juros e controle de inflação) e geopolítica estão elevando a volatilidade (variação do preço). O índice de volatilidade do ouro da Cboe, o GVZ (um indicador que estima a volatilidade esperada via preços de opções), subiu para acima de 30, nível que não víamos com frequência desde a turbulência bancária da primavera de 2025. Quem espera uma grande oscilação, mas não sabe a direção, pode olhar estratégias como straddle (compra de call e put no mesmo preço de exercício) ou strangle (compra de call e put com preços de exercício diferentes) para tentar ganhar com a volatilidade. Crie sua conta ao vivo na VT Markets e comece a operar agora.

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