Conflito No Oriente Médio E Reação Do Dólar
Autoridades iranianas de alto escalão analisavam a proposta dos EUA, mas indicaram que não estavam prontas para conversar com Washington. Teerã também disse que rejeitaria uma oferta de cessar-fogo (pausa nos combates) dos EUA e apresentou um plano de cinco pontos que inclui controle soberano (controle do próprio país, sem interferência externa) sobre o Estreito de Ormuz (rota marítima estratégica por onde passa uma parte importante do petróleo). A TD Securities disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) recebia sinais mistos, já que o conflito adicionou um choque no petróleo (alta repentina do preço do petróleo). A empresa afirmou que a economia dos EUA seguia irregular e esperava que o Fed mantivesse os juros inalterados no curto prazo, com possíveis cortes de juros mais adiante em 2026, se as condições permitirem. Interrupções ligadas ao conflito elevaram os preços de energia, aumentando preocupações com a inflação (alta generalizada de preços) e sustentando a expectativa de que os juros dos EUA permaneçam sem mudança neste ano. O mercado aguardava o dado semanal de Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego (Initial Jobless Claims, número de pessoas que pedem auxílio-desemprego pela primeira vez) de quinta-feira, para novas informações sobre o mercado de trabalho.Juros, Inflação E Posicionamento
O choque no preço da energia visto em 2025 alimentou uma inflação persistente, que só recentemente começou a dar sinais de alívio. A leitura mais recente do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, indicador de inflação ao consumidor) de fevereiro de 2026 ficou em 3,2%, ainda teimosamente acima da meta de 2% do Fed. Esse dado reforça a expectativa de que eventuais cortes de juros provavelmente fiquem para o segundo semestre deste ano. O mercado de trabalho também segue surpreendentemente forte, dando ao Fed mais espaço para esperar. Na semana passada, os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram em 210.000, mantendo uma tendência que contrariou previsões de uma desaceleração econômica forte. Para traders de derivativos (contratos cujo preço depende de outro ativo, como juros, moedas ou ações), essa força sugere que o cenário-base é “juros altos por mais tempo”. Com isso, vemos traders se posicionando para um Fed paciente por meio de opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender) sobre futuros de SOFR (Secured Overnight Financing Rate, taxa de juros overnight usada como referência nos EUA; “overnight” é de um dia para o outro). Muitos estão vendendo calls (opções de compra) ou montando put spreads (estratégia com opções de venda usando dois preços de exercício diferentes) nos contratos de setembro de 2026, apostando que um corte de juros no meio do ano não deve acontecer. Essa estratégia se beneficia se as expectativas de juros ficarem próximas dos níveis atuais no curto prazo. No mercado de câmbio, isso sugere força contínua do dólar contra moedas cujos bancos centrais podem cortar juros antes, como o euro ou o franco suíço. Traders podem considerar opções de compra no DXY ou opções de venda no par EUR/USD (taxa de câmbio do euro contra o dólar). Porém, é prudente comprar alguma proteção contra volatilidade inesperada (variações rápidas de preço), já que qualquer dado surpreendente de inflação pode mudar o sentimento do mercado rapidamente.
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