Implicações para a política do BCE
A inflação da Espanha acima do esperado em março é um dado relevante, indicando que a alta de preços na Zona do Euro (os países que usam o euro) pode estar durando mais do que se imaginava. Isso vai na mesma direção da estimativa preliminar (um número divulgado antes do dado final) para toda a Zona do Euro, que mostrou a inflação cheia (headline, o número total, incluindo itens mais voláteis como energia e alimentos) parada em 2,8%, um nível ainda “grudado” (sticky, ou seja, que cai devagar). Esses dados nos levam a repensar quando e quão provável é o próximo corte de juros do Banco Central Europeu (BCE, o banco que define os juros do euro). Na semana passada, o mercado de swaps de juros (contratos usados para trocar fluxos de juros e inferir expectativas de taxa) apontava mais de 70% de chance de corte até junho. Depois desse dado de inflação da Espanha, uma economia importante da Europa, essa probabilidade caiu para menos de 40%, indicando uma forte mudança na avaliação do mercado. Isso confirma o tom mais cauteloso de autoridades do BCE, que têm dito que as decisões continuam dependendo dos dados (data-dependent, isto é, mudam conforme os números saem). Podemos considerar buscar mais força do euro, porque um BCE mais “duro” (hawkish, ou seja, mais propenso a manter juros altos para combater a inflação) tende a tornar a moeda mais atrativa. Comprar opções de compra (call, um contrato que dá o direito de comprar o ativo a um preço definido) de EUR/USD com prazo curto é uma forma de ganhar com a alta, controlando o risco. A maior volatilidade (variação mais forte e rápida de preços) nas expectativas de juros deve aumentar o prêmio (o preço pago pela opção), mas o ganho pode ser grande se o BCE adiar o início do ciclo de redução de juros (easing, quando o banco central corta juros para estimular a economia).Considerações sobre posicionamento de mercado
Olhando para 2025, vimos como as ações europeias subiram com a expectativa de cortes de juros após o período difícil de inflação que começou em 2022. Esse novo dado pode ameaçar essa alta, tornando mais atraente apostar na queda (posição vendida, quando se busca lucro se o preço cair) de índices de ações como o Euro Stoxx 50 por meio de contratos futuros (futuros, acordos para comprar ou vender no futuro a um preço combinado). Da mesma forma, esperamos que os futuros do Bund alemão (títulos do governo da Alemanha; os futuros são contratos ligados ao preço desses títulos) sofram pressão de baixa, porque os rendimentos (yields, o retorno que o investidor recebe no título) precisam se ajustar à inflação mais resistente por mais tempo.
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