Narrativa de economia resiliente
Esse número de produção industrial em fevereiro, um pouco acima do esperado, reforça a ideia de que a economia dos EUA segue resistente. Junto com o relatório de empregos da semana passada, que mostrou a criação de 210 mil vagas (novos empregos registrados), isso indica que a demanda (procura por bens e serviços) continua firme. Esses dados reforçam a visão de que a economia está lidando melhor com juros mais altos do que muitos previam em 2025. Para o mercado de juros, isso adia o provável início do primeiro corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), provavelmente para depois do meio do ano. A chance de corte em junho tende a cair ainda mais; na semana passada, dados do governo já mostravam essa probabilidade em 40%. Operadores também devem olhar os contratos futuros de SOFR (taxa de referência de curto prazo dos EUA; “futuros” são contratos para negociar um preço/taxa no futuro) para refletir a visão de “juros altos por mais tempo”. Nesse cenário, comprar puts (opções de venda, que ganham valor quando o preço cai) em futuros de títulos do Tesouro (títulos públicos dos EUA; “futuros” são contratos padronizados negociados em bolsa) pode ser uma proteção (hedge, estratégia para reduzir perdas) caso o Fed mantenha a política atual. No mercado de opções de ações, isso complica o quadro, porque uma economia forte pode ser ruim para ações por causa dos juros. A volatilidade implícita (expectativa do mercado para oscilações futuras do preço) nas opções do S&P 500, medida pelo índice VIX (indicador de “medo” do mercado), já subiu para 15,2, ante 14 no mês passado. Isso reflete a avaliação entre fundamentos corporativos fortes e demora para os juros caírem. Isso sugere priorizar estratégias focadas em setores industrial e de materiais, que se beneficiam diretamente desse nível de atividade, em vez de ações de crescimento mais sensíveis a juros. Para commodities (matérias-primas), o sinal é positivo, especialmente para metais industriais e energia. Com o cobre já testando a resistência de US$ 4,50 por libra (resistência é um nível de preço onde costuma haver mais vendas, dificultando a alta), vista pela última vez em meados de 2025, esse dado dá suporte a um possível rompimento (quando o preço supera um nível importante). Operadores tendem a aumentar posições compradas (apostar na alta) em futuros de petróleo (contratos para comprar/vender petróleo no futuro), esperando maior demanda, já que estatísticas recentes do governo mostraram que as entradas nas refinarias (volume de petróleo processado) subiram por três semanas seguidas. No geral, a reação imediata deve ser reduzir a exposição a ativos muito sensíveis a cortes de juros no curto prazo. É importante acompanhar de perto o CPI (índice de preços ao consumidor, um medidor de inflação) de fevereiro, porque um número acima da tendência recente de 3,1% reforçaria a postura mais dura (hawkish, ou seja, mais inclinada a manter/subir juros para conter a inflação) do Fed. Assim, buscar exposição à força econômica por meio de opções de compra (calls, opções que ganham com alta) do setor industrial ou de futuros de commodities, enquanto se faz proteção contra juros elevados, parece o caminho mais prudente.
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