Perspectiva do RBA muda
Na Austrália, comentários do vice-presidente do RBA (banco central da Austrália) Andrew Hauser fizeram o mercado antecipar a possibilidade de uma segunda alta de juros já na próxima semana. Isso deu apoio ao dólar australiano e limitou novas quedas do AUD/USD. No gráfico de 4 horas, o par ficou abaixo da EMA de 200 períodos (média móvel exponencial de 200 velas, usada para indicar a tendência) e depois voltou a ficar acima de 0,7130. O RSI (índice de força relativa, que mede se o preço está “forte” ou “fraco”) está perto de 55, e o MACD (indicador de tendência e força do movimento) segue levemente positivo, embora com menos força. O suporte (faixa onde o preço costuma parar de cair) fica em 0,7120, depois 0,7080 e 0,7040, perto de mínimas anteriores e da EMA de 200 períodos. Uma queda abaixo de 0,7040 apontaria para 0,7000, enquanto a resistência (faixa onde o preço costuma parar de subir) está em 0,7150, depois 0,7175 e 0,7220.Fatores por trás do novo cenário
O tom mais duro do RBA (postura de manter/elevar juros para conter inflação) que foi citado antes se inverteu: a inflação na Austrália esfriou para 3,2%, levando o banco central a cortar a taxa básica (cash rate, o principal juro da economia) para 3,10%. Embora o Federal Reserve também tenha começado a reduzir juros, a diferença de juros entre os países ainda dá suporte ao dólar americano. Essa mudança é um motivo importante para o par não conseguir sustentar ganhos acima de 0,7000 no ano passado. A aversão ao risco (medo do mercado, que faz investidores buscarem ativos mais seguros) que impulsionava o dólar americano diminuiu, mas surgiram outros fatores negativos para o dólar australiano. Vimos preços de commodities (matérias-primas) importantes enfraquecerem, com o minério de ferro, exportação essencial da Austrália, caindo de mais de US$ 130 por tonelada no fim de 2024 para cerca de US$ 110 por tonelada agora. Isso pressiona diretamente o valor do dólar australiano. Para traders de derivativos (contratos cujo preço depende de um ativo, como opções), esse cenário sugere que vender opções de compra (call, que ganham valor quando o preço sobe) com preço de exercício (strike, nível de preço do contrato) bem acima do nível atual, talvez perto do antigo suporte de 0,7000, pode ser uma estratégia viável. A chance de uma alta forte de volta às máximas do início de 2025 parece baixa com as políticas atuais dos bancos centrais. Como alternativa, quem espera mais fraqueza pode considerar comprar opções de venda (put, que ganham valor quando o preço cai) com strike abaixo do suporte de 0,6600. O quadro técnico (leitura baseada em gráfico e indicadores) piorou bastante desde a fase em que o preço resistia acima de 0,7100. O antigo suporte em 0,7080 agora vira uma resistência importante no longo prazo. Nas próximas semanas, o foco será se o par consegue segurar a região de 0,6600; uma queda sustentada abaixo disso pode levar a testar as mínimas do ano passado.
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