Suporte do Franco Suíço e atenção ao SNB
O franco suíço ganhou suporte com a queda do preço do petróleo, o que aumentou a atenção para possíveis ajustes de política do Banco Nacional Suíço (SNB, o banco central da Suíça, que define juros e pode agir no mercado). A inflação anual ao consumidor na Suíça subiu para 0,3% em março, de 0,1% em fevereiro, o maior nível em um ano, enquanto o SNB repetiu que pode intervir (entrar comprando ou vendendo moeda no mercado) para limitar um fortalecimento excessivo do CHF (franco suíço). O dólar dos EUA também ficou pressionado, porque a queda do petróleo reduziu a expectativa de um Fed mais duro. “Mais duro” (hawkish) significa maior chance de juros altos ou de não cortar juros. O diretor do Fed Stephen Miran disse que o choque de energia ligado ao Irã não mudou as expectativas de inflação de longo prazo e que a inflação pode voltar à meta dentro de um ano. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Semafor que os EUA deveriam “esperar para ver” antes de cortar juros. Ele afirmou que espera que as altas recentes de preços não virem algo permanente nas expectativas de inflação. Com a queda contínua de USD/CHF, vale considerar estratégias que se beneficiem de mais força do franco no curto prazo. Comprar opções de venda (put: contrato que ganha valor quando o preço cai) no par USD/CHF permite lucrar com essa queda, limitando a perda ao prêmio (o valor pago pela opção). Isso faz sentido porque o mercado vê mais chance de um acordo EUA-Irã, o que reduz a busca por “porto seguro” (safe-haven: ativo procurado em momentos de medo), como o dólar.Gestão de risco e posicionamento entre mercados
Ainda assim, é preciso cautela com o SNB, pois o par se aproxima de níveis que no passado levaram a intervenção. Vimos o SNB defender o franco de forma forte entre 2015 e 2022, e as falas recentes indicam que pode agir de novo. Uma estratégia de volatilidade comprada (long volatility: ganhar se o preço se mexer muito), como um straddle (comprar ao mesmo tempo uma opção de compra e uma de venda), pode ser adequada para capturar um movimento forte para qualquer lado, caso o SNB surpreenda o mercado ou as conversas com o Irã desandem. Do lado dos EUA, o mercado parece ignorar riscos de inflação. O núcleo do CPI (Core CPI: inflação “sem itens muito voláteis”, como alimentos e energia) ficou acima de 3,5% por boa parte de 2025, então o alívio atual com a queda do petróleo pode ser temporário. Se os próximos dados econômicos dos EUA mostrarem pressão de preços, o Fed pode voltar a ficar mais duro, causando uma virada rápida no dólar. Essa situação também está ligada ao mercado de energia: a redução de tensões derruba o preço do petróleo. A chance de acordo reduz o “prêmio de risco” (valor extra no preço por medo de problema) ligado a possíveis interrupções de oferta no Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo do mundo por dia. Por isso, posições de queda em contratos futuros de petróleo (futuros: contratos para comprar ou vender no futuro a um preço combinado) podem complementar uma posição vendida em USD/CHF (apostar na queda do par).
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