Principais conclusões do PMI de março
Os custos de insumos (matérias-primas e componentes) foram relatados como em alta, o que pode reduzir as margens de lucro (diferença entre receita e custos). O texto também diz que a demanda doméstica (consumo e compras dentro do país) continua fraca. O conflito no Oriente Médio foi descrito como tendo impacto direto limitado na China até agora. As reservas estratégicas de petróleo (estoque mantido pelo governo para emergências) e o maior uso de energia renovável (solar, eólica e outras fontes que se regeneram) foram citados como fatores que amortecem a economia. Os riscos futuros foram ligados à duração do conflito no Oriente Médio e a qualquer efeito na inflação global (alta generalizada de preços). O texto também cita investigações comerciais mútuas entre EUA e China (apuração de possíveis práticas desleais, como subsídios ou dumping) antes da visita de Estado planejada do presidente Trump em maio, o que pode afetar a meta de crescimento de 4,5% a 5,0% da China. Ao olhar para março de 2025, vimos uma expansão do PMI industrial que escondia riscos relevantes. A melhora veio de fatores temporários, como recomposição de estoques e gastos do governo, mas os alertas sobre demanda doméstica fraca e margens pressionadas ficaram claros. Esses problemas agora são o foco principal do mercado no último ano.Implicações para posicionamento e risco
Os dados mais recentes do trimestre atual confirmam esses receios. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, soma do que a economia produz) da China no 1T de 2026 acabou de ser divulgado, em 4,3%, abaixo da meta oficial, refletindo fraqueza contínua nos gastos do consumidor. Além disso, o PPI (Índice de Preços ao Produtor, que mede preços na “porta da fábrica”) de fevereiro de 2026 seguiu negativo em -0,5% na comparação anual, indicando que as empresas ainda não conseguem repassar custos (aumentar preços sem perder vendas). Os riscos externos citados após a visita de Estado do presidente Trump em maio de 2025 também aumentaram. Novas tarifas dos EUA de 15% (impostos sobre importação) sobre veículos elétricos e painéis solares chineses foram implementadas em janeiro de 2026. Isso enfraquece diretamente a força das exportações, que foi um apoio importante para a economia no ano passado. Com esse cenário de incerteza de política econômica e crescimento fraco, esperamos mais volatilidade (oscilações fortes de preço) do mercado nas próximas semanas. Devemos considerar comprar volatilidade por meio de opções de compra (call options; um contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) sobre o Índice de Volatilidade de Hang Seng (VHSI, que mede a volatilidade esperada do mercado de Hong Kong), que está perto de 22. Isso se beneficia do aumento da turbulência enquanto o mercado reage aos dados fracos. Para uma visão direcional (apostar em uma direção), esperamos fraqueza contínua em empresas ligadas ao consumo interno e ao setor imobiliário. Comprar opções de venda (put options; contrato que dá o direito de vender a um preço definido) para maio de 2026 em índices como o FTSE China A50 Index ou ETFs de consumo discricionário (fundos negociados em bolsa que reúnem ações; “consumo discricionário” são itens não essenciais) é uma forma de proteção contra novas quedas. Isso nos posiciona para a fraqueza contínua da economia interna chinesa. A pressão sobre o crescimento da China também deve afetar sua moeda. Podemos montar operações que se beneficiem de um yuan mais fraco comprando opções de compra de USD/CNH (dólar contra yuan “offshore”, negociado fora da China continental). Isso posiciona para nova desvalorização (queda do valor da moeda) além do nível de 7,32 visto na semana passada.
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