O dólar norte-americano valorizou-se, com a aversão ao risco a sustentar a procura, prolongando os ganhos semanais face aos principais pares. Com os mercados accionistas e obrigacionistas dos EUA encerrados devido ao Juneteenth, a agenda é reduzida e as Vendas a Retalho do Canadá de Abril são a única divulgação prevista, deixando os mercados a acompanhar os desenvolvimentos no Médio Oriente e os comentários dos bancos centrais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça afirmou que as conversações planeadas entre os EUA e o Irão não avançariam, depois de uma viagem aos EUA ter sido cancelada na sequência do ataque de Israel no sul do Líbano; a Tasnim, do Irão, reportou não haver confirmação de que os negociadores viajariam, ficando a decisão pendente da implementação, num acordo interino, de uma condição de cessar-fogo no Líbano.
O Índice do Dólar (DXY) subiu pela terceira sessão, atingindo o nível mais elevado desde Maio de 2025, acima de 101,10, antes de recuar para perto de 100,90. O Banco de Inglaterra manteve a Bank Rate em 3,75%, com dois membros do MPC a defenderem uma subida de 25 pb; ainda assim, o GBP/USD caiu cerca de 0,7% e manteve-se perto de 1,3200. A Reuters noticiou que o presidente de câmara trabalhista Andy Burnham venceu um lugar no norte de Inglaterra, aumentando a incerteza política. O EUR/USD negociou perto de 1,1450, o nível mais baixo desde meados de Março, apesar de o membro do BCE José Luis Escrivá ter obtido 6,2/10 no FXS Speechtracker, face a uma média de 4,8/10. O ouro desceu, depois de cair mais de 1% na quinta-feira, a negociar perto de 4.150 dólares, enquanto o USD/JPY superou 161,80 — o valor mais elevado desde Julho de 2024 — antes de se manter acima de 161,00, com o vice-governador do BoJ, Himino, a reiterar uma trajectória provável de subidas de taxas.
Procura por Dólares e Dinâmica de Mercado
Perante um ambiente de aversão ao risco, consideramos que a força do dólar dos EUA é a principal tendência a acompanhar nas próximas semanas. O cancelamento das conversações EUA-Irão, num contexto de novos conflitos no Médio Oriente, está a alimentar a procura por activos-refúgio e, com os mercados norte-americanos fechados por feriado, a liquidez reduzida poderá amplificar este movimento. Consideramos que posicionar-se para uma continuação da dominância do dólar é a estratégia mais prudente.
Para traders de derivados, isto sugere a compra de opções de compra (calls) sobre o Índice do Dólar (DXY) ou sobre ETF que repliquem o dólar. A volatilidade está a subir, com o índice de volatilidade da Cboe (VIX) a ter avançado mais de 15% esta semana, para negociar acima de 18, tornando as opções uma ferramenta eficaz para cobertura (hedge) ou para especular sobre oscilações acentuadas de mercado. Vemos o DXY a testar níveis mais elevados, uma vez que é pouco provável que a incerteza geopolítica se dissipe rapidamente.
Movimentos Cambiais e Oportunidades de Trading
A libra esterlina parece particularmente vulnerável, e antecipamos mais fraqueza face ao dólar. A combinação de um Banco de Inglaterra dividido e de nova instabilidade política sustenta um cenário claramente negativo para o GBP/USD. Já vimos este padrão antes, como durante a turbulência política no Reino Unido em 2022, quando a incerteza política penalizou fortemente a libra.
De forma semelhante, o euro não está a encontrar suporte, apesar de declarações mais “hawkish” de responsáveis do BCE. O diferencial de rendibilidade entre as obrigações a 2 anos dos EUA e da Alemanha alargou para mais de 170 pontos base, tornando os activos denominados em dólares muito mais atractivos e sinalizando mais queda para o EUR/USD. Estamos a olhar para opções de venda (puts) para capitalizar um potencial movimento em direcção a 1,1300.
Somos cautelosos em estar directamente long USD/JPY a estes níveis, devido ao risco elevado de intervenção por parte das autoridades japonesas. Em vez disso, estamos a considerar calls com maturidades mais longas para participar em eventual valorização adicional, limitando ao mesmo tempo perdas potenciais numa mudança súbita de política. O último grande ciclo de intervenções no final de 2022 fez o par cair mais de 10 ienes em poucas semanas, sublinhando o risco de uma reversão abrupta.
A incapacidade do ouro em recuperar neste ambiente “risk-off” evidencia a força esmagadora do dólar. A correlação negativa entre o Índice do Dólar e o ouro intensificou-se para -0,8 no último mês, mostrando a dominância total do dólar sobre a formação de preços do metal. Vamos evitar posições long em ouro e poderemos mesmo ponderar puts sobre futuros de ouro até que a recuperação do dólar dê sinais de fadiga.
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