O Índice do Dólar (DXY) reforçou-se, com a subida das yields nos EUA e o reacender das tensões geopolíticas a sustentarem a procura por ativos-refúgio, enquanto os dados iFlow apontaram para entradas em FX para o USD, a par de um posicionamento “risk-off” em obrigações e ações. O Presidente Trump propôs novas tarifas abrangentes, acrescentando riscos de comércio e inflação e dando apoio adicional ao “greenback”. O plano estabelece taxas de, pelo menos, 10% sobre importações provenientes de 60 parceiros comerciais, com Canadá, México, UE, Taiwan e Reino Unido a enfrentarem uma taxa de 10%, enquanto China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça seriam taxados a 12,5%. As medidas não são imediatas e ficarão sujeitas a consulta pública e audições antes de serem finalizadas.
Os dados de fluxos mostraram saídas concentradas em DKK, CAD, NZD e TRY, seguidas por BRL e CLP, enquanto as entradas favoreceram USD, JPY, MXN e ZAR, a par de EUR e GBP. O iFlow Mood estabilizou com o início de junho, mas manteve-se firmemente em “risk-off”, refletindo saídas contínuas de ações e uma procura sustentada por dívida soberana core. Os preços do petróleo subiram pelo terceiro dia, pressionando as ações globais e os futuros de ações dos EUA, à medida que o conflito EUA–Irão impulsionou as yields das obrigações e o dólar. Nos dados macro, o PMI de serviços da China atingiu um máximo de três meses, ao passo que o PIB do 1.º trimestre da Austrália ficou aquém das expectativas.
Força do dólar, riscos tarifários e posicionamento cambial
Tendo em conta o ambiente atual, vemos um claro reforço do dólar norte-americano, impulsionado por yields mais elevadas e incerteza geopolítica. O Dollar Index (DXY) rompeu recentemente acima do nível 106,50, refletindo esta procura generalizada. Consideramos que as estratégias com derivados devem estar posicionadas para uma continuidade da força do dólar e para uma aversão ao risco mais ampla nas próximas semanas.
As tarifas propostas introduzem riscos significativos para as moedas dos principais parceiros comerciais dos EUA, especialmente economias dependentes das exportações. Estamos particularmente focados no dólar canadiano, que enfraqueceu para lá da marca de 1,3800 face ao USD. Os traders devem considerar a compra de opções call em USD/CAD ou a venda de futuros sobre moedas como o dólar neozelandês, que têm evidenciado saídas persistentes de capital.
Sentimento “risk-off”, estratégias para ações e obrigações, perspetivas para o petróleo
O sentimento “risk-off” é claramente visível nos mercados acionistas, criando oportunidades para posições baixistas. O índice VIX disparou mais de 35% nas últimas duas semanas, negociando agora perto de 20, um nível historicamente associado a stress de mercado. Recomendamos a compra de opções put sobre os principais índices, como o S&P 500, para cobrir risco (hedge) ou beneficiar de uma potencial correção, à medida que estas tensões comerciais se intensificam.
Vemos também pressões contraditórias sobre as yields das obrigações dos EUA: a compra de ativos-refúgio tende a puxá-las para baixo, enquanto os riscos de inflação associados às tarifas tendem a empurrá-las para cima. Isto sugere um período de maior volatilidade no mercado de taxas. O uso de opções como straddles sobre futuros de Treasury notes a 10 anos (ZN) pode ser uma forma eficaz de negociar esta turbulência esperada sem assumir uma direção específica.
Por fim, o agravamento do conflito entre os EUA e o Irão está a dar suporte direto aos preços do crude. Os futuros de WTI subiram já acima de 88 dólares por barril, o nível mais elevado em mais de seis meses. Antecipamos que esta tendência continue, tornando atrativas posições longas em futuros de petróleo ou opções call sobre ETFs ligados ao setor da energia.
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