O dólar norte-americano enfraqueceu face aos principais pares durante a sessão europeia de quarta-feira, com o Índice do Dólar dos EUA (DXY) a recuar 0,1% para perto de 99,90. A negociação tornou-se cautelosa antes da divulgação do Índice de Preços no Consumidor (CPI) dos EUA de maio, às 12:30 GMT, um relatório que deverá influenciar a perspetiva de política monetária da Reserva Federal. As previsões apontam para uma inflação global de 4,2% em termos homólogos, acima dos 3,8% de abril, enquanto o CPI subjacente é estimado em 2,9% face a 2,8%. Em termos mensais, estima-se que o CPI global suba 0,5% e o subjacente 0,3%, mantendo o foco em saber se as pressões sobre os preços estão a reacelerar.
As expectativas de taxas reforçaram-se após o relatório de emprego (Nonfarm Payrolls, NFP) de maio ter superado as expectativas, e a ferramenta CME FedWatch coloca a probabilidade de pelo menos uma subida de taxas pela Fed este ano em quase 68%. Apesar do nível à vista mais fraco, o DXY mantém-se acima da sua média móvel exponencial (EMA) de 20 dias, em 99,35, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) de 14 períodos está perto de 62. O suporte é visto em torno de 99,35; uma quebra poderá apontar para uma zona de congestão abaixo de 99,00, enquanto as resistências incluem 100,21 e o máximo de um ano em 100,64.
Sentimento de Mercado e Posicionamento Antes da Divulgação do CPI
O dólar norte-americano regista hoje, 10 de junho de 2026, alguma ligeira pressão vendedora, antes do crucial relatório do Índice de Preços no Consumidor (CPI). Vemos esta descida como uma oportunidade potencial, uma vez que a tendência mais ampla para o dólar continua a ser favorável. O mercado está tenso, à espera de sinais de reaceleração da inflação.
O nosso foco está nos próximos dados do CPI, pois serão o principal motor das expectativas de política da Reserva Federal. O consenso atual aponta para uma inflação global em torno de 3,1% em termos homólogos, mas estamos posicionados para uma surpresa em alta. Um valor acima do esperado quase certamente obrigaria o mercado a eliminar qualquer esperança remanescente de um corte de taxas pela Fed em 2026.
Impacto dos Dados do Emprego, Estratégia de Trading e Contexto Histórico
Esta postura cautelosa é reforçada pelo relatório de Nonfarm Payrolls da semana passada, surpreendentemente forte, que mostrou que a economia criou mais de 250.000 empregos, muito acima das previsões. Refletindo estes dados robustos, a ferramenta CME FedWatch indica agora que os traders atribuem menos de 50% de probabilidade a um único corte de taxas de juro até ao final deste ano. Isto representa uma mudança significativa face ao início do ano, quando se antecipavam vários cortes.
Para os traders de derivados, a volatilidade implícita elevada em torno da divulgação do CPI torna dispendiosa a compra direta de opções. Em vez disso, estamos a privilegiar estratégias como bull call spreads sobre o Índice do Dólar dos EUA (DXY), para nos posicionarmos para uma potencial subida a um custo mais baixo. Isto permite-nos beneficiar de um movimento em alta, definindo simultaneamente o nosso risco caso os dados de inflação sejam mais fracos do que o esperado.
Estamos a acompanhar níveis técnicos-chave, com a média móvel de 50 dias, perto de 104,10, a atuar como um suporte crítico para o DXY. Uma quebra decisiva acima dos máximos recentes de 105,00 após os dados do CPI sinalizaria a continuação da tendência primária de subida. Já uma queda abaixo do suporte obrigar-nos-ia a reconsiderar o nosso viés otimista no curto prazo.
Recordamos a dinâmica de mercado de 2022-2023, em que leituras de inflação persistentemente elevadas desencadearam, de forma consistente, subidas acentuadas e agressivas do dólar norte-americano. A História sugere que, num ambiente em que a Fed está dependente dos dados, o risco está enviesado para uma reação desproporcionada a qualquer dado de cariz hawkish. Estar despreparado para um dólar forte tem sido um erro caro no passado recente.
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