Choque de oferta e volatilidade do mercado
O movimento de preços foi comparado com 2022, quando a Rússia atacou a Ucrânia. Naquele período, os EUA venderam parte de suas reservas estratégicas (estoques de emergência do governo) para tentar limitar a alta dos preços. A possibilidade de usar novamente as reservas estratégicas dos EUA foi mencionada, mas foi indicado que isso não substituiria toda a oferta interrompida do Oriente Médio. A situação foi descrita como inédita, com preços podendo subir mais enquanto a guerra continuar. Foi dito que a possível retomada dos embarques pelo Estreito de Hormuz é o principal fator que poderia reverter a alta. Com o Brent subindo 25% durante a noite para US$ 116/bbl, entramos em um período de volatilidade extrema (oscilações fortes e rápidas de preço) causado por um grande choque de oferta (queda repentina da quantidade disponível). A interrupção do tráfego pelo Estreito de Hormuz, um ponto de passagem estreito e crítico por onde circulam quase 20 milhões de barris por dia, na prática tirou do mercado cerca de um quinto da oferta global. Essa interrupção exige que os participantes do mercado foquem em controlar o risco, porque os preços podem mudar muito rápido. A alta forte significa que a “volatilidade implícita” nas opções de petróleo disparou (uma medida, embutida no preço das opções, de quanto o mercado espera que o preço oscile), deixando qualquer contrato de opção caro. É provável que o índice OVX (CBOE Crude Oil Volatility Index, um indicador da volatilidade esperada do petróleo via preços de opções) esteja passando de 80, níveis não vistos desde o pânico no início da guerra na Ucrânia em 2022. Esse custo alto das opções precisa entrar na conta em qualquer nova operação, porque pode reduzir ganhos se o preço ficar sem direção clara (andar de lado).Principais riscos e posicionamento
Para quem espera mais escalada, comprar opções de compra (call: direito de comprar por um preço definido) sobre contratos futuros (futures: acordos para comprar/vender no futuro por um preço combinado) de Brent ou WTI (referência do petróleo dos EUA) é um jeito direto, porém caro, de ganhar com nova alta. O movimento lembra o começo de 2022, quando o Brent chegou perto de US$ 130, um nível histórico que agora é visto como possível no curto prazo. Dada a incerteza, usar “call spreads” (estratégia com duas calls para limitar custo e também limitar ganho) pode ser uma forma mais prudente de apostar na alta e controlar o preço pago. Por outro lado, a situação é frágil, e qualquer sinal de redução de tensão pode causar uma queda forte e rápida. Operadores podem considerar comprar opções de venda (put: direito de vender por um preço definido) para proteger uma posição comprada (hedge: proteção contra queda) ou para apostar em uma solução rápida. Com volatilidade elevada, até puts fora do dinheiro (out-of-the-money: com preço de exercício ainda distante do preço atual e, por isso, mais baratas) podem oferecer proteção relevante contra uma queda acentuada com um desembolso menor. Uma liberação esperada da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (Strategic Petroleum Reserve, estoque de emergência) deve ter efeito menor desta vez. O ano de 2026 começou com reservas perto de 360 milhões de barris, bem abaixo dos 560 milhões de barris antes das grandes liberações de 2022. Essa “margem de segurança” menor deixa o mercado mais exposto ao corte de oferta atual do que no passado. O principal sinal a acompanhar será qualquer notícia sobre a retomada dos embarques pelo Estreito de Hormuz. Uma confirmação de retorno do tráfego de navios-tanque (petroleiros) quase certamente levaria a uma correção rápida do preço, reduzindo o “prêmio de guerra” (parte do preço que reflete risco de conflito e interrupções).
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