A economia do Brasil cresceu 1,1% em termos trimestrais no primeiro trimestre, invertendo a subida de 0,3% no 4T (revista em alta), com o crescimento associado a estímulos orçamentais e à força da atividade mineira. Este apoio à procura implica custos: a inflação homóloga aumentou para 4,64% no início de maio, enquanto o défice público é descrito como a agravar-se e as expectativas de inflação estão a deteriorar-se. O Banco Central do Brasil reiterou o seu compromisso com a meta de inflação de 3%.
Nos mercados cambiais, o USD/BRL tem negociado abaixo de 5,05, nível referido como a média móvel de 50 dias (50dma), enquanto o próximo ponto de resistência é situado em 5,08. O artigo destaca ainda o foco do mercado na decisão do BCB em junho, após dois cortes consecutivos, num contexto de dinâmica inflacionista mais firme e de expectativas mais fracas.
Viés de Alta para o USD/BRL à Medida que as Pressões Inflacionistas Aumentam
Vemos um viés claramente ascendente para o par USD/BRL nas próximas semanas. Embora o PIB do primeiro trimestre no Brasil tenha mostrado uma recuperação sólida, este crescimento foi alimentado por estímulos que agora estão a pressionar a inflação. O mercado está cada vez mais focado neste trade-off entre crescimento e estabilidade de preços.
Esta perspetiva é reforçada por dados recentes de maio de 2026, que mostraram a inflação homóloga em 3,70%, teimosamente acima da meta de 3% do banco central. A recente votação dividida no Banco Central do Brasil em torno de um corte menor na taxa de juro evidencia o dilema crescente. Esta incerteza tende a traduzir-se numa moeda mais fraca, à medida que os investidores procuram maior clareza.
Posicionamento e Estratégias para Traders de Derivados
Para traders de derivados, isto sugere posicionamento para um Real mais fraco. Consideramos que a compra de opções call de USD/BRL com preços de exercício acima de 5,20, com vencimentos no final de junho ou em julho, oferece um perfil de risco/retorno favorável. Esta estratégia permite capitalizar uma potencial subida, limitando simultaneamente o risco em baixa.
Historicamente, períodos de incerteza orçamental no Brasil, sobretudo com um rácio dívida/PIB a rondar os 80%, têm conduzido a desvalorizações cambiais acentuadas e rápidas. Tendo em conta que o par já negoceia em torno de 5,15, poderemos assistir a um movimento acelerado em direção a 5,25 ou acima, caso as preocupações orçamentais se intensifiquem. Um bull call spread pode ser uma forma eficaz de reduzir o custo de entrada nesta operação.
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