Força do dólar impulsionada pela aversão ao risco
O Índice do Dólar (DXY, um indicador que mede o dólar contra uma cesta de moedas) estava em torno de 100,54, perto das máximas de dez meses vistas no início do mês. Os rendimentos dos títulos (juros pagos por títulos do governo) caíram nos EUA e na Europa, enquanto o mercado ajustava as expectativas para a política monetária (decisões do banco central sobre juros e liquidez). Nos EUA, o mercado agora espera que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha os juros sem mudança até 2026, após antes indicar quase 50% de chance de juros mais altos até o fim de 2026, segundo o CME FedWatch Tool (ferramenta que estima as probabilidades de decisões do Fed com base em contratos futuros). Essa mudança ocorre porque o foco saiu do risco de inflação e foi para o impacto dos custos altos de energia no crescimento econômico. Na Europa, o mercado reduziu as apostas de alta de juros em abril, mas ainda precifica cerca de duas altas mais tarde neste ano. A inflação preliminar de março na Alemanha mostrou maior pressão de preços, com dados de inflação da zona do euro previstos para terça-feira, e o ISM Manufacturing PMI (pesquisa que indica como está a atividade da indústria) e o Nonfarm Payrolls (relatório de empregos fora do setor agrícola) dos EUA previstos para mais tarde nesta semana.Estratégias para queda e volatilidade
Isso cria um cenário difícil, em que traders devem considerar estratégias que se beneficiem de novas quedas ou de maior volatilidade (oscilações de preço). Comprar opções de venda (put, contrato que pode ganhar valor quando o preço cai) no EUR/USD pode ser uma forma de risco definido (perda máxima conhecida) de lucrar se o par continuar caindo em direção ao suporte em 1,1350 (faixa de preço onde costuma aparecer compra). A expectativa de que o Fed mantenha a taxa em 5,50% até 2026 sugere que surpresas positivas nos dados dos EUA podem fortalecer o dólar. Em 2025, houve um choque inicial nos preços de energia quando o conflito se intensificou, o que também aumentou a procura pelo dólar. Naquele período, porém, havia expectativa de aperto dos bancos centrais (alta de juros) em vários países. Agora o mercado está mais preocupado com o efeito do custo alto de energia freando o crescimento, principalmente na Europa. A sensibilidade da zona do euro a choques de energia é uma preocupação central, o que complica a situação do Banco Central Europeu (BCE, o banco central da zona do euro). Embora dados recentes de inflação na Alemanha tenham subido um pouco, o CPI preliminar (índice de preços ao consumidor, medida de inflação) da zona do euro para março veio em 2,8%, deixando o BCE dividido entre combater a inflação e sustentar uma economia frágil. Essa diferença de política em relação aos EUA deve continuar pesando no euro. Portanto, o foco deve estar nos principais dados dos EUA desta semana, especialmente o relatório de Nonfarm Payrolls. Um número forte de empregos, como as leituras acima de 200 mil vistas com frequência, reforçaria a ideia de que a economia dos EUA segue resistente. Isso aumentaria a justificativa para o Fed manter uma postura restritiva (juros altos para segurar a inflação), pressionando ainda mais o EUR/USD.
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