Fed Sinaliza Juros Altos Por Mais Tempo
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros entre 3,50% e 3,75% na reunião de março. Jerome Powell disse que a inflação deve diminuir, mas a desinflação (queda da inflação) pode ser mais lenta, e preços mais altos do petróleo, ligados ao conflito com o Irã, podem elevar a inflação no curto prazo. As autoridades citaram incerteza sobre os efeitos econômicos da guerra com o Irã e apontaram riscos de a inflação subir. As projeções ainda mostram um corte de juros neste ano e outro em 2027, em linha com dezembro. Em fevereiro, os preços ao produtor nos EUA subiram mais do que o esperado, com o PPI (Índice de Preços ao Produtor, um indicador de preços no atacado) em alta de 0,7% no mês (MoM, mês contra mês), contra 0,5% em janeiro e previsão de 0,3%, a maior alta em sete meses. O PPI cheio (“headline”, o número total) foi de 3,4% no ano (YoY, ano contra ano), enquanto o PPI núcleo (“core”, que exclui itens muito voláteis) subiu para 3,9% de 3,5%. Em seguida, saem os pedidos semanais de seguro-desemprego (um relatório semanal sobre quantas pessoas solicitaram benefício por desemprego). A mudança mais dura (hawkish, ou seja, com foco em combater a inflação e manter juros mais altos) do Fed mudou as expectativas do mercado para as próximas semanas. Com os cortes de juros agora possivelmente adiados, é provável que continue a pressão sobre as ações, especialmente o Nasdaq 100, que é mais sensível a juros. A volatilidade implícita (uma medida do quanto o mercado espera que os preços oscilem, calculada a partir de opções) está subindo, com o VIX (índice de volatilidade do S&P 500, visto como “termômetro do medo”) passando de 20 na última sessão, indicando que o mercado de opções está precificando oscilações maiores.Inflação E Volatilidade Reprecificam O Risco
Os dados mais recentes do PPI confirmam que a inflação segue resistente. Embora a taxa anual de 3,4% esteja bem abaixo dos picos de 2022, a alta forte de 0,7% no mês é o que preocupa. Esse avanço nos preços no atacado reforça a decisão do Fed de esperar sinais mais claros de desinflação antes de agir. A tensão geopolítica aumenta o risco e afeta diretamente o mercado de energia e as previsões de inflação. Com o Brent (referência internacional do preço do petróleo) acima de US$ 95 por barril pela primeira vez em mais de um ano, pode fazer sentido usar opções de compra (call options, um contrato que dá o direito de comprar um ativo por um preço definido até uma data) em ETFs (fundos negociados em bolsa, que seguem um índice ou setor) do setor de energia como proteção (hedge, uma forma de reduzir risco). Essa estratégia pode ganhar com a alta do petróleo e com o cenário de inflação. O mercado de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros) está reajustando rápido as expectativas de juros, o que afeta diretamente o valor dos índices. Os futuros de Fed Funds (contratos que refletem a expectativa para a taxa básica do Fed) agora indicam menos de 40% de chance de corte de juros até setembro, uma virada em relação ao começo do ano. Isso torna mais razoável considerar opções de venda de proteção (protective puts, comprar uma put para limitar perdas) em índices amplos como o S&P 500 para lidar com risco de queda. Nesse cenário, setores “value” (empresas mais maduras e baratas em relação aos lucros) podem ir melhor do que ações de crescimento. O Dow Jones, com mais peso de indústrias e grandes bancos, pode ser mais resistente do que o Nasdaq, que tem mais tecnologia. Isso favorece estratégias como vender spreads de call fora do dinheiro (out-of-the-money call spreads, vender e comprar calls em preços acima do atual; normalmente para gerar renda limitada e com risco controlado) em ETFs de tecnologia para gerar renda e manter uma visão cautelosa do mercado.
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