Risco no Mar Vermelho e impacto no mercado
Israel informou no começo de segunda-feira que interceptou dois drones disparados do Iêmen. Os mercados temem que ameaças ao transporte marítimo no Mar Vermelho prejudiquem a economia global. A procura pelo dólar americano aumentou porque a aversão ao risco (quando investidores evitam ativos mais arriscados) continuou alta, reforçando o papel do dólar como “porto seguro” (moeda vista como mais segura em crises) e como moeda de reserva (moeda muito usada por bancos centrais e no comércio global). Essa demanda pressionou o iene e levou o par a subir. Novas altas no USD/JPY podem ser limitadas pelo risco de intervenção cambial (quando o governo ou o banco central compra/vende moeda para influenciar o câmbio) do Japão. O iene também pode ganhar apoio se o Banco do Japão elevar os juros (taxa básica) na próxima reunião. As atenções estão no “Resumo de Opiniões” do Banco do Japão sobre a reunião de março (documento com as visões dos membros do banco sobre juros e economia).Relembrando a disparada do dólar
Relembramos o fim de 2025, quando riscos geopolíticos no Oriente Médio levaram investidores a correr para o dólar americano. Essa aversão ao risco empurrou o USD/JPY para níveis que não víamos desde meados de 2024, chegando perto de 160,50. Foi um período de força extrema do dólar, por ser visto como porto seguro. Como era esperado, esse pico durou pouco por causa da ameaça de intervenção das autoridades japonesas. Elas de fato agiram em novembro de 2025 com compras relevantes de iene, parecidas com as operações de 2022, quando foram usados mais de ¥9 trilhões (US$ 60 bilhões) para sustentar a moeda. Essa ação colocou um “teto” para o par e provocou uma queda forte em seguida. O Banco do Japão também confirmou a expectativa do mercado e fez uma alta pequena de juros em janeiro de 2026 para 0,25%. Isso continuou a normalização da política monetária (volta a juros mais “normais”) iniciada quando o Japão encerrou os juros negativos (juros abaixo de zero) em março de 2024. Essa mudança ajudou a reduzir a diferença de juros com os Estados Unidos, aumentando a pressão de baixa sobre o par de moedas. Hoje, com o USD/JPY bem mais baixo, perto de 148,50, a lembrança dessa volatilidade (oscilações fortes de preço) é importante. O grande “gap” de juros (diferença entre taxas), com os EUA em 5,50% e o Japão em 0,25%, continua sendo o principal motor, mas o mercado está mais sensível a alertas oficiais de Tóquio. Isso aumenta a chance de movimentos bruscos, em vez de uma tendência lenta. Para quem opera derivativos (contratos ligados ao preço de outro ativo, como opções), isso sugere que a volatilidade implícita (volatilidade que o mercado “embute” no preço das opções) nas opções de USD/JPY deve seguir alta. Estratégias como comprar um straddle longo (comprar ao mesmo tempo uma opção de compra e uma opção de venda) podem funcionar, porque ganham com um movimento grande para qualquer lado, sem precisar prever o motivo. Essa estratégia permite aproveitar a próxima grande virada, seja por medo de intervenção, seja por surpresa nos dados de inflação dos EUA. Outra abordagem é tratar a própria volatilidade como um “ativo”. Com a resistência (região onde o preço costuma travar) perto de 160, vender opções de compra (call) com preços de exercício (strike, preço definido no contrato) bem acima dos níveis atuais pode ser uma forma de receber prêmio (valor pago por quem compra a opção). Essa estratégia aposta que as autoridades japonesas vão limitar uma alta muito forte nas próximas semanas.
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