FX e juros na América Latina vêm sendo sustentados por melhora nos termos de troca para exportadores de energia e de commodities agrícolas, ao lado de âncoras de juros reais elevados que podem se refletir tanto em moedas quanto em duration. O impulso aos exportadores de energia observado no 2T, durante a fase inicial do conflito, deve se repetir, enquanto alguns governos podem preferir alongar duration à medida que buscam maior espaço fiscal. A atratividade do carry, contudo, vem sendo moderada pela alta dos yields nos EUA e pela menor visibilidade sobre a política do Federal Reserve, o que mantém as razões de hedge elevadas.
A divergência de política monetária dentro de emergentes (EM) também segue no radar. O BanRep deve elevar a taxa em 50pb, para 12,50%, com juros reais acima de 6%, mesmo com indicadores de atividade ainda firmes: as vendas no varejo seguem crescendo em ritmo de dois dígitos em termos anualizados e a confiança do consumidor voltou a subir em junho. Em contraste, na última semana houve surpresas de política em outros mercados, já que o Bank Indonesia e o South African Reserve Bank mantiveram os juros, em vez de subir, apesar dos riscos altistas para a inflação.
Cenário Favorável para Exportadores Latino-Americanos e Juros
Vemos uma oportunidade renovada para ativos latino-americanos à medida que os preços globais de energia e de commodities agrícolas avançam, beneficiando os exportadores da região. Juros reais elevados nesses países continuam ancorando as moedas locais e dando suporte aos yields dos títulos. Ainda assim, é preciso se preparar para volatilidade, pois a alta dos yields dos Treasuries — com a taxa de 10 anos em torno de 4,2% — ameaça redirecionar capital para refúgios defensivos.
Com o Federal Reserve adotando uma postura menos previsível e possivelmente se afastando de um forward guidance claro, o impulso das operações de carry trade encontra resistência. Para lidar com essa incerteza, recomendamos que traders de derivativos mantenham, nas próximas semanas, razões de hedge estruturalmente elevadas nas posições de câmbio. Acreditamos que instrumentos de renda fixa oferecem, no momento, uma relação risco-retorno muito mais atraente do que exposição cambial sem hedge.
Divergência de Política e Oportunidades Seletivas em Mercados Emergentes
O banco central da Colômbia se destaca como excepcionalmente hawkish, com expectativa de alta de 50 pontos-base, para 12,50%, para combater uma demanda ainda persistente. Enquanto os juros reais da Colômbia estão acima de sólidos 6%, outros emergentes como Indonésia e África do Sul recentemente pausaram o ciclo de alta apesar dos riscos inflacionários. Essa divergência indica a necessidade de uma alocação seletiva em moedas com fundamentos de consumo resilientes — como a Colômbia, onde as vendas no varejo registram crescimento anualizado de dois dígitos.
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