A governadora do RBA, Michele Bullock, afirmou numa audição que o conselho subiu a taxa de juro diretora em 75 pb este ano, procurando reconduzir a inflação ao objetivo. A inflação entrou no intervalo-alvo no início de 2025, antes de voltar a acelerar no segundo semestre de 2025, à medida que um crescimento mais forte, condições apertadas no mercado de trabalho e preços do petróleo mais elevados pressionaram os custos. Disse ainda que o conflito no Médio Oriente poderá acrescer à inflação, ao mesmo tempo que penaliza moderadamente o crescimento, e que uma política mais restritiva já está a aliviar as condições no mercado da habitação.
Bullock disse que a inflação homóloga poderá atingir um pico acima de 4,5% no trimestre de junho, enquanto se espera que a inflação subjacente permaneça acima do objetivo até meados de 2027. Separadamente, o saldo do comércio internacional de bens da Austrália melhorou em abril, passando para um excedente de 1,791 mil milhões de dólares australianos, face a um défice de 1,024 mil milhões em março. O relatório indicou que o artigo foi produzido com o apoio de uma ferramenta de Inteligência Artificial e revisto por um editor.
Política restritiva do RBA e reação do mercado
Tendo em conta a posição firme do RBA contra a inflação, vemos um sinal claro de taxas de juro mais elevadas. A afirmação de que a inflação só regressará ao objetivo em meados de 2027 sugere um período prolongado de política monetária restritiva. Assim, deveremos posicionar-nos para uma subida da taxa diretora australiana nos próximos meses.
Os dados sustentam esta visão “hawkish”. O mais recente indicador mensal do IPC de abril fixou-se num persistente 4,1%, enquanto o relatório do emprego de maio mostrou o desemprego a manter-se em 3,9%, confirmando as condições apertadas no mercado de trabalho referidas. Estes números dão ao RBA pouca margem para interromper o ciclo de subidas de taxas.
Também se intensificam as pressões externas, reforçando o argumento a favor de uma resposta de política mais forte. Com o conflito em curso no Médio Oriente a manter os preços do Brent elevados, em torno de 95 dólares por barril, a inflação importada continuará a ser uma preocupação relevante para o banco central. Este enquadramento torna novas subidas de taxas quase inevitáveis.
Implicações para câmbio, obrigações e imobiliário
Para os operadores cambiais, este cenário favorece claramente o dólar australiano. A combinação de expectativas de taxas em alta e do excedente comercial de abril, surpreendentemente robusto, de 1,79 mil milhões de dólares australianos, sustenta uma perspetiva construtiva para o AUD, sobretudo face a divisas cujos bancos centrais são mais “dovish”. Estamos a considerar opções de compra (calls) sobre AUD/USD como uma estratégia viável para ganhar exposição a esta força esperada.
Nos mercados de taxas de juro, é provável que a curva de rendimentos reaja, incorporando uma atuação mais agressiva do RBA. Antecipamos que as yields de curto prazo continuem a subir nas próximas semanas. Isto sugere oportunidades em posições curtas em futuros de obrigações australianas a 3 anos, apostando na queda do preço à medida que as yields sobem.
É igualmente necessário acompanhar o mercado da habitação, que foi referido como já estando a arrefecer devido a uma política mais restritiva. Embora o RBA esteja focado na inflação, uma correção acentuada no imobiliário poderá levá-lo a abrandar o ritmo mais tarde no ano. Este é o principal risco para uma posição “hawkish” excessivamente agressiva.
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