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Bob Savage, do BNY, diz que o BCE pode apertar a política monetária devido à inflação de energia, mas as preocupações com o crescimento na zona do euro se intensificam

by VT Markets
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Mar 25, 2026
A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que o BCE pode endurecer a política monetária (aumentar juros e/ou reduzir estímulos) se o aumento dos custos de energia ligado à guerra no Irã se espalhar e elevar a inflação. Ela disse que as decisões vão depender de provas mais claras sobre o tamanho e a duração do choque (um impacto repentino na economia). Ela disse que o BCE está atento, mas ainda não está pronto para agir, mantendo a opção de mudar a política em qualquer reunião. Ela descreveu cenários que vão de um choque limitado, que não exigiria resposta, até uma inflação persistente, que poderia levar a um aperto forte (altas maiores e mais rápidas dos juros).

Cenários de inflação e riscos para o crescimento

As projeções do BCE colocam a inflação em 2,6% no cenário base (o cenário mais provável) e em até 6,3% em um cenário severo (um cenário ruim, com impacto maior). Custos mais altos de energia também foram descritos como risco para o crescimento, com chance de maior repasse de preços (quando empresas passam o aumento de custos para o consumidor) e novas pressões inflacionárias (força que empurra os preços para cima). O euro está hoje preso entre o risco de inflação subir e a ameaça de o crescimento desacelerar, o que cria muita incerteza. Lagarde sinalizou que o banco pode apertar com força se a energia empurrar a inflação para cima, mas também evita prejudicar uma economia frágil. Essa postura guiada por dados (decidir com base em números novos) significa que a política pode mudar para um lado ou para o outro nas próximas semanas. Esse cenário sugere mais volatilidade cambial (variações mais rápidas e fortes no câmbio), algo que já aparece. O índice Cboe EuroCurrency Volatility Index (EVZ), que mede a volatilidade esperada do euro, subiu mais de 15% no último mês para 8,5, refletindo nervosismo. Traders (pessoas que operam no mercado) podem considerar estratégias como long straddle ou strangle no par EUR/USD. Essas são combinações de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender) que podem lucrar com um grande movimento para cima ou para baixo, sem precisar prever a direção. Se os próximos dados de inflação de março mostrarem um número cheio (headline: o número total, sem filtros) acima dos 2,8% de fevereiro, as expectativas de alta de juros vão aumentar. O mercado de futuros (contratos para comprar/vender no futuro) hoje coloca apenas 40% de chance de alta na reunião de junho. Nesse caso, operar futuros de Euribor (taxa de referência de juros de curto prazo na zona do euro; esses contratos refletem a expectativa de juros) para apostar em juros mais altos pode ser uma forma direta de negociar uma reação mais dura do BCE (postura “hawkish”: mais focada em conter a inflação, com juros mais altos).

Implicações de negociação para o euro

Por outro lado, uma economia mais fraca pode fazer o BCE esperar, pressionando o euro para baixo. Com o PMI Composto da Zona do Euro da S&P Global caindo de volta para território de contração em 48,9, o risco para o crescimento é claro. PMI (Índice de Gerentes de Compras) é uma pesquisa com empresas; abaixo de 50 sugere queda da atividade. Comprar opções de venda fora do dinheiro (out-of-the-money puts: opções de venda com preço de exercício abaixo do preço atual, geralmente mais baratas) no euro é uma proteção de menor custo contra uma surpresa mais “dovish” (postura mais branda, com menos juros) ou piora econômica. Vimos dinâmica parecida na crise de energia de 2022. Na época, a indecisão do BCE pesou no euro no começo, antes de o banco ser levado a aumentar juros com agressividade, causando oscilações fortes na moeda. Esse exemplo mostra como o sentimento do mercado pode mudar rápido, de medo de recessão (queda da economia) para medo de inflação. A variável central continua sendo o preço da energia, com o conflito no Irã levando o petróleo Brent (referência global de preço do petróleo) acima de US$ 110 por barril neste mês. Enquanto os preços de energia ficarem tão altos, o risco de a inflação forçar o BCE a agir continua sendo o fator principal. É preciso acompanhar de perto os relatórios semanais de estoques de energia (dados de oferta armazenada) e as notícias geopolíticas (eventos políticos e conflitos entre países), pois devem ser os principais motores das expectativas sobre a política do BCE.

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