Risco de Correlação entre Ativos
As ações mostraram uma correlação (quando preços sobem e caem juntos) incomumente alta com o dólar americano, o petróleo e os títulos durante a temporada de resultados (período em que empresas divulgam lucros). Essa falta de separação entre os movimentos dos ativos tornou mais difícil decidir quanto investir em ações. Os custos fiscais estimados (gastos do governo) são de 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto, uma medida do tamanho da economia) na UE (União Europeia) e de 1–2% do PIB na Ásia. O mercado de títulos (dívidas negociadas, como títulos públicos) ainda não incorporou totalmente novos gastos do governo nem os efeitos de inflação (alta geral de preços) vindos de um choque de oferta (quando falta produto ou insumo, elevando preços). As expectativas de política econômica mudaram de afrouxamento (juros mais baixos) para aperto (juros mais altos). Entre os bancos centrais (instituições que definem juros e controlam a moeda) de países desenvolvidos, o mercado ainda vê o Fed (banco central dos EUA) como o único com chance de cortar juros, com 40% de probabilidade de um corte até o fim do ano. Isso enfraqueceu a referência de “taxa livre de risco” (juros considerados mais seguros, usados como base para avaliar investimentos) usada para calcular o valor das ações nos EUA, Europa e Ásia. No início de 2026, o aumento em posições de ações foi mais forte em mercados emergentes (países com economias em desenvolvimento). Uma queda de 15% a partir do pico dessas posições deixa os emergentes abertos a novas mudanças de alocação (realocação de investimentos), especialmente se a inflação e a política econômica limitarem o crescimento dos lucros na Ásia.Proteção com Volatilidade Baixa
As ações globais estão perto de níveis recordes, mas a alta correlação entre ações, dólar e petróleo cria um cenário frágil. O CBOE Volatility Index (VIX, índice que mede a volatilidade esperada—ou seja, a oscilação provável—do S&P 500) caiu para 14,5 com o otimismo do cessar-fogo, o que deixa este um bom momento para pensar em estratégias de proteção (hedge, operações para reduzir perdas) contra uma queda mais ampla do mercado. Isso é diferente do que vimos em meados de 2025, quando os ativos se moviam de forma mais independente. O mercado de títulos parece estar subestimando o risco de novos gastos do governo e de uma inflação persistente vinda do lado da oferta (pressão de preços por falta de oferta), como mostra o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, uma medida de inflação) de março de 2026 em 3,7%. Isso coloca em dúvida a estabilidade da taxa livre de risco usada para avaliar ações. Como o mercado precifica apenas 40% de chance de corte de juros pelo Fed até o fim do ano, a incerteza sobre a política tende a aumentar. Essa confusão sobre a política sugere se preparar para movimentos fortes para qualquer lado, em vez de apostar em um único cenário. Estratégias como long straddle (comprar uma opção de compra e uma de venda com o mesmo preço e vencimento, para ganhar com grande oscilação) ou strangle (comprar opções de compra e venda com preços diferentes, geralmente mais baratas, também para ganhar com grande oscilação) em índices como o SPX (opções sobre o S&P 500) podem funcionar, especialmente antes da próxima reunião do Fed. Essas posições ganham com uma oscilação grande do preço, seja por dados de inflação mais “duros” (hawkish, indicando juros mais altos) ou por uma surpresa mais “suave” (dovish, indicando juros mais baixos). Vemos vulnerabilidade maior em mercados emergentes, que subiram forte no começo de 2026 e ainda parecem esticados (caros demais) apesar de uma queda recente de 15%. Se a inflação na Ásia continuar subindo, isso pode travar o crescimento dos lucros e causar nova queda. Comprar puts (opções de venda, que ganham quando o preço cai) em ETFs (fundos negociados em bolsa) amplos de emergentes pode ser uma proteção eficaz contra esse risco específico nas próximas semanas.
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