Vendas industriais italianas indicam piora
Este dado de janeiro, com queda de 1% ano a ano nas vendas industriais italianas, é um sinal negativo importante, porque interrompe a alta vista no fim do ano passado. Isso sugere enfraquecimento da demanda interna e externa (procura por bens dentro e fora do país), o que pode pressionar as ações italianas. Podemos considerar comprar opções de venda (puts, um tipo de contrato que tende a ganhar valor quando o preço cai) do índice FTSE MIB, com vencimento entre 45 e 60 dias, para tentar capturar uma possível queda. Essa fraqueza na Itália não é um caso isolado. Na semana passada, o índice IFO de clima de negócios da Alemanha (uma pesquisa que mede confiança das empresas) veio abaixo do esperado: 90,2 contra 91,5. Isso aponta para uma desaceleração mais ampla no núcleo industrial da Zona do Euro. Por isso, posições de queda (bearish, aposta em baixa) no índice EURO STOXX 50 podem ser uma estratégia prudente para reduzir risco no mercado europeu, por exemplo com venda de “spreads” de call (uma estrutura com opções de compra em que você limita o ganho e o risco; costuma se beneficiar se o mercado ficar estável ou cair). Esperamos que a volatilidade implícita (expectativa do mercado sobre o tamanho das oscilações futuras, embutida no preço das opções) suba a partir dos níveis atuais, por causa da incerteza maior. O VSTOXX (principal índice de volatilidade da Europa, semelhante ao “termômetro do medo”) está perto de 18, mas esse tipo de dado industrial pode empurrá-lo acima de 22. Comprar opções de compra (calls) do VSTOXX ou usar futuros de volatilidade (contratos para negociar um preço hoje para uma data futura) pode funcionar como proteção contra uma correção do mercado nas próximas semanas. A piora do cenário econômico tende a pesar sobre o euro. Com o EUR/USD já com dificuldade para segurar o nível de 1,07, esse dado pode ser o gatilho para uma queda. Vemos oportunidade em apostar na queda do EUR/USD com futuros (contratos padronizados negociados em bolsa) ou comprar puts em ETFs de moeda como o FXE (um fundo negociado em bolsa que acompanha o euro).Mudança de política pode favorecer títulos
O foco da política dos bancos centrais em 2025 foi controlar a inflação persistente. Agora, o mercado está mudando para a possibilidade de cortes de juros pelo Banco Central Europeu ainda este ano para enfrentar a desaceleração. Isso torna atrativas posições compradas (long, aposta em alta) em futuros de títulos do governo italiano (BTPs, títulos públicos da Itália), porque o preço dos títulos costuma subir quando há sinal de juros mais baixos, especialmente se o BCE indicar uma postura mais “dovish” (mais inclinada a cortar juros e estimular a economia) na reunião de abril.
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