Perspectiva Técnica e Níveis-Chave
Tecnicamente, o par subiu com força a partir da média móvel simples (SMA, uma média de preços usada para indicar tendência) de 100 dias e rompeu acima da resistência em 0,7115 na semana passada. O interesse de compra perto de 0,7115, agora visto como suporte, sugere viés de alta. Os sinais de impulso estão positivos: o MACD (indicador que compara médias móveis para medir força e direção do movimento) está acima de sua linha de sinal, e o RSI (índice de força relativa, que mede se o preço subiu “rápido demais” e pode estar esticado) está perto de 62, sem indicar sobrecompra (quando o preço pode estar alto demais no curto prazo). Uma alta acima de 0,7200 pode abrir espaço para um novo teste de 0,7220–0,7225. O primeiro suporte fica perto de 0,7115, com suporte adicional em torno de 0,7100. A SMA de 100 dias está perto de 0,6900. Olhando para a configuração técnica de alta do início de 2025, vemos o impulso que levou o AUD/USD acima de 0,7115. Os sinais positivos de indicadores como MACD e RSI eram válidos naquele momento e sustentavam a continuidade da alta. Essa leitura apontou corretamente que, no curto prazo, o caminho mais provável era de alta. No entanto, a alta em direção a 0,7225 acabou virando um topo quando o cenário fundamental mudou mais tarde naquele ano. O RBA interrompeu o ciclo de altas de juros (período em que o banco central sobe juros várias vezes) antes do esperado, enquanto o Fed manteve uma postura restritiva (juros altos para conter a inflação) por mais tempo do que o mercado previa. Essa diferença de política monetária (decisões de juros e liquidez) enfraqueceu o dólar australiano na segunda metade de 2025.Considerações de Estratégia com Derivativos
Hoje, em 20 de abril de 2026, o cenário é diferente, com o par perto de 0,6550. A inflação australiana está em 3,1%, e o mercado coloca 75% de chance de corte de juros pelo RBA até agosto. Já a inflação nos EUA está mais firme em 2,8%, o que deixa o Fed mais cauteloso para não reduzir juros cedo demais. Para traders de derivativos (instrumentos cujo preço depende de outro ativo, como opções), esse cenário sugere posicionamento para nova queda ou para um mercado lateral (preço andando de lado dentro de uma faixa). A volatilidade implícita (expectativa do mercado para oscilações futuras, embutida no preço das opções) de um mês do AUD/USD está relativamente baixa, em 8,5%, tornando as opções mais baratas do que há um ano. Isso permite montar operações com melhor relação risco-retorno (quanto se arrisca versus quanto se pode ganhar). Com o sentimento mais “dovish” do RBA (tendência a reduzir juros ou ser mais suave), quem espera rompimento para baixo pode considerar comprar opções de venda (put, que ganham valor quando o preço cai) mirando 0,6400. Outra alternativa é montar um bear put spread (comprar uma put e vender outra put com strike mais baixo para reduzir o custo), ainda lucrando com uma queda moderada. Essa estratégia limita o risco caso um evento geopolítico inesperado ou uma mudança no tom do Fed derrube o dólar. Para quem acredita que as principais decisões dos bancos centrais já estão no preço, a baixa volatilidade torna atrativa a venda de opções. Um strangle vendido (vender uma call e uma put fora do dinheiro, ou seja, com preços de exercício longe do preço atual) pode servir para receber prêmio (valor pago por quem compra a opção). Isso dá lucro se o AUD/USD ficar consolidado (oscilando sem tendência) na faixa de 0,6500–0,6650 antes das próximas divulgações importantes de dados econômicos.
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