Cenário de Mercado e Níveis-Chave
Na Europa, na quarta, o Índice do Dólar dos EUA manteve ganhos moderados perto de 99,40 e os futuros dos índices acionários dos EUA (contratos que indicam a abertura provável das bolsas) subiram de 0,6% a 0,7%. O WTI (petróleo dos EUA, referência West Texas Intermediate) ficou perto da mínima da faixa semanal e bem abaixo de US$ 90 por barril. A inflação CPI do Reino Unido (índice de preços ao consumidor) ficou estável em 3% em fevereiro, com o núcleo do CPI (inflação “sem itens muito voláteis”, como energia e alimentos) em 3,2% contra 3,1% esperado, e o RPI (índice de preços de varejo, medida mais antiga e geralmente mais alta) subindo 0,4% no mês. O GBP/USD (libra contra dólar) negociou abaixo de 1,3400, o AUD/USD (dólar australiano contra dólar) caiu cerca de 0,5% perto de 0,6960 após o CPI da Austrália recuar para 3,7% de 3,8%, enquanto o EUR/USD (euro contra dólar) ficou abaixo de 1,1600 e o ouro subiu mais de 1,5% acima de US$ 4.500. O otimismo que levou o WTI a ficar abaixo de US$ 90 por barril em março de 2025 durou pouco. Quando as conversas de cessar-fogo travaram em meados de 2025, o medo de falta de oferta ligado ao Estreito de Ormuz elevou os preços, com o WTI ficando em média acima de US$ 100 por barril na segunda metade do ano. Por isso, quedas no preço do petróleo podem ser vistas como chance de compra, usando opções de compra (call: contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) para se posicionar para altas causadas por nova piora geopolítica. A leitura resistente da inflação “núcleo” do Reino Unido no ano passado foi um sinal importante e impediu o Banco da Inglaterra de cortar juros como muitos esperavam ao longo de 2025. Isso ajuda a explicar por que o GBP/USD tem dificuldade de voltar ao nível de 1,3400 visto naquela época. Como o DXY saiu da faixa de 99 e passou a negociar de forma mais constante acima de 104, é importante ter cautela ao apostar contra a força do dólar, que costuma ser buscado como proteção em momentos de risco (ativo de refúgio).Posicionamento de Carteira e Proteção
O bom humor nos futuros de ações um ano atrás mostrou a importância de olhar além do ruído geopolítico do dia e focar na força da economia. Apesar das tensões, o S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) ainda conseguiu subir mais de 15% em 2025, beneficiando quem comprou nas quedas. Nas próximas semanas, isso sugere usar opções do VIX (índice da “ansiedade” do mercado, mede volatilidade esperada) para proteger a carteira em momentos de estresse, em vez de abandonar posições de alta em ações no longo prazo. A alta do ouro acima de US$ 4.500 naquela época foi um sinal claro da ansiedade do mercado, e seu papel como proteção contra risco geopolítico só aumentou. Ele seguiu subindo ao longo de 2025 e, agora, ao consolidar perto de US$ 4.750, a base de suporte (região de preço onde costuma aparecer compra) está bem mais alta. Vender puts de curto prazo no ouro (put: opção que dá ao comprador o direito de vender; ao vender, você recebe um prêmio e assume o risco) pode ser uma forma de manter viés de alta recebendo esse prêmio, desde que o metal continue sendo um refúgio preferido.
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