Divergência de política do Fed e do RBA
O RBA (Reserve Bank of Australia, banco central da Austrália) elevou os juros em 25 pontos-base (0,25 ponto percentual) para 4,10% em uma votação de 5–4, citando pressão de capacidade (limites de produção e oferta) e efeitos de preços de energia ligados ao conflito no Oriente Médio. Os dados de emprego de fevereiro na Austrália são esperados em +20,3 mil, com desemprego em 4,1%, juntamente com a Revisão de Estabilidade Financeira do RBA (relatório sobre riscos do sistema financeiro). O AUD/USD estava perto de 0,7022, com suporte (região onde o preço costuma “segurar”) em 0,7010, depois 0,6960 e 0,6900. A resistência (região onde o preço costuma “barrar”) fica em 0,7075 e 0,7120, com 0,7150 e 0,7200 acima. Fatores que mexem com o AUD incluem juros do RBA, demanda da China, inflação, crescimento, balança comercial (exportações menos importações), apetite por risco (disposição do mercado para ativos mais arriscados) e minério de ferro, avaliado em cerca de US$ 118 bilhões por ano em 2021. O RBA busca inflação de 2–3% e pode usar afrouxamento/aperto quantitativo (quantitative easing/tightening: aumentar/reduzir compras de ativos para estimular ou restringir a economia).Perspectiva e implicações para trading
A projeção do Fed em 2025 de inflação núcleo mais alta em 2026 se confirmou, com os dados mais recentes de fevereiro de 2026 mostrando o CPI núcleo dos EUA (Índice de Preços ao Consumidor, que mede inflação para famílias) ainda elevado em 3,8% ao ano. Isso mantém o dólar forte, pois cortes de juros ficam mais distantes. Traders podem ver qualquer alta no AUD/USD como chance de montar posições de queda (bearish, aposta em baixa), como comprar opções de venda (put, direito de vender a um preço definido) ou montar bear call spreads (estratégia com duas opções de compra que ganha com queda ou lateralização). Na Austrália, o cenário mudou desde a alta de juros do RBA no início de 2025. O relatório de empregos de fevereiro de 2026 mostrou o desemprego subindo para 4,2%, e dados recentes de PIB (Produto Interno Bruto, tamanho da economia) indicam desaceleração relevante. Essa divergência de política — Fed ainda “duro” (hawkish, mais inclinado a juros altos) e RBA agora mais “flexível” (dovish, mais inclinado a cortar juros) — pressiona o dólar australiano. Além disso, dois pilares da força do dólar australiano enfraqueceram desde o ano passado. O minério de ferro, grande exportação do país, caiu abaixo de US$ 100 por tonelada pela primeira vez em meses, com preocupações sobre demanda. A recuperação da China segue fraca, com o PMI industrial (Purchasing Managers’ Index, pesquisa de atividade; abaixo de 50 indica contração) ainda em contração, em 49,1.
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