Os economistas da TD Securities preveem que os dados do IPC (CPI) dos EUA de maio deverão mostrar um abrandamento do ímpeto nos preços core, embora ainda em níveis elevados. Apontam para uma subida do core CPI de 0,23% em cadeia e de 2,8% em termos homólogos, enquanto o CPI headline deverá acelerar para 4,2% em termos homólogos, após um novo aumento de 0,4 pontos percentuais. A projeção assenta numa “normalização” do componente de habitação (shelter), após um impulso temporário no relatório anterior, a par de pressões ligadas à energia a filtrarem-se para os serviços core via tarifas aéreas mais firmes.
Nos detalhes, projetam que os preços dos bens avancem 0,13% em cadeia em maio, em linha com a média de três meses, com os bens core excluindo veículos a explicarem a maior parte do ganho, à medida que bens domésticos, vestuário e outras categorias sobem. Espera-se que uma nova queda nos preços de veículos usados compense parte dessa subida. Olhando em frente, antecipam que o choque do preço do petróleo e o prolongamento do efeito de repercussão (passthrough) de tarifas empurrem o segmento core para perto de 3,0% em termos homólogos em junho, com risco em alta caso os custos do combustível de aviação sejam repercutidos nas tarifas aéreas mais do que o assumido, e veem pouca melhoria homóloga em 2026.
Inflação Persistente e Perspetivas para a Política da Reserva Federal
Tendo em conta a data de hoje, 8 de junho de 2026, antecipamos que o próximo relatório do CPI dos EUA relativo a maio confirmará que a inflação está a moderar, mas permanece teimosamente elevada. Esperamos que a inflação core se situe em 2,8% em termos homólogos, enquanto o número headline deverá atingir um máximo de três anos de 4,2%. Esta persistência inflacionista põe em causa a expectativa do mercado de cortes de taxas de juro iminentes por parte da Reserva Federal.
Este cenário sugere que a Reserva Federal manterá uma orientação de política restritiva por mais tempo do que muitos antecipam. A precificação atual no mercado de futuros dos Fed Funds, no início de junho de 2026, implica uma probabilidade de quase 45% de um corte de taxas até setembro, uma visão que consideramos demasiado otimista. Vemos valor em derivados que posicionem para taxas mais altas durante mais tempo.
Posicionamento para Riscos de Mercado e de Inflação
Consequentemente, estamos a analisar opções sobre futuros de SOFR que beneficiariam caso o mercado reprecifique no sentido de menos cortes de taxas este ano. A venda de opções de compra (calls) sobre contratos de futuros do terceiro e quarto trimestres poderá ser uma estratégia eficaz para capitalizar esta visão. Os riscos de uma surpresa inflacionista em alta, impulsionada pelos preços do petróleo e pelas tarifas aéreas, tornam este posicionamento atrativo.
Com a possibilidade de surpresa nos próximos dados de CPI, vemos também uma oportunidade nos mercados de volatilidade. Historicamente, divulgações do CPI que se afastam significativamente do consenso provocaram picos no VIX; por exemplo, leituras inesperadas no final de 2025 levaram a aumentos médios diários do VIX superiores a 10%. Consideramos que a compra de opções de compra (calls) de curto prazo sobre o VIX oferece uma cobertura custo-eficiente contra um choque de mercado.
A menção de um conflito em curso com o Irão acrescenta um risco relevante em alta para os preços da energia, que poderá propagar-se à inflação mais ampla. A referência global, o crude Brent, já subiu mais de 8% no último mês para aproximadamente 92 dólares por barril. Acreditamos que os traders deverão considerar opções de compra sobre crude para se posicionarem para um potencial agravamento geopolítico que possa empurrar a inflação ainda mais para cima.
Olhando para a segunda metade de 2026, não antecipamos progressos significativos na redução da inflação core. Os preços dos bens core, excluindo veículos, continuam a mostrar força, e os custos de habitação estão a normalizar em níveis elevados. Isto reforça a nossa visão de que as estratégias com derivados devem ser estruturadas em torno do tema de inflação persistente e de uma Reserva Federal cautelosa até ao final do ano.
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