Defasagem na transmissão da política monetária
Pesquisas do BCE indicam que uma alta de 50bp pode reduzir a inflação em 0,2–0,3% em 12–18 meses. Para a inflação de serviços, a transmissão (ou seja, o efeito dos juros na economia e nos preços) pode levar mais de 24 meses. A demora ajuda a explicar o tom mais restritivo de membros do BCE antes de sinais mais claros da inflação. O texto também afirma que um apoio fiscal (gasto do governo e medidas como subsídios e cortes de impostos) mais forte pode reduzir o medo de desaceleração do crescimento quando bancos centrais avaliam novas altas de juros, especialmente os que estão perto do nível “neutro” (taxa de juros que não acelera nem freia a economia) como o BCE. Estamos vendo um tom mais agressivo do Banco Central Europeu, por preocupação renovada com a inflação. Dados recentes mostram que a inflação da Zona do Euro subiu para 2,8% em fevereiro, em grande parte por aumento dos custos de energia. O mercado reagiu precificando 40 pontos-base de altas de juros neste ano.Implicações para o mercado de juros
Mas essa precificação parece exagerada, porque nosso cenário base ainda aponta para apenas uma possível alta no fim deste ano. Vale lembrar que o impacto do ciclo anterior de aperto monetário (quando o banco central sobe juros para esfriar a economia) levou mais de um ano para aparecer na economia. A defasagem longa, especialmente em serviços, sugere que o BCE está falando duro agora para controlar expectativas muito antes de qualquer ação. Para operadores de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como taxas de juros), isso pode ser uma chance de se posicionar contra o excesso de “rigor” do mercado nas próximas semanas. Uma opção é olhar swaps de taxa de juros (contratos para trocar juros fixos por juros variáveis) com vencimento no fim de 2026, assumindo a posição de receber a taxa fixa (ganha se os juros subirem menos do que o mercado espera). Essa estratégia tende a lucrar se o BCE subir menos do que os 40bp hoje embutidos nos preços. O principal risco para essa visão é uma mudança para gastos públicos mais agressivos, o que reduz o risco de enfraquecimento do crescimento por causa de juros mais altos. Discussões sobre novas medidas fiscais para compensar contas de energia caras, por exemplo, podem dar mais espaço para o BCE subir juros. Por isso, operadores devem acompanhar de perto anúncios de política fiscal dos principais governos da Zona do Euro.
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