
Principais pontos
- O índice do dólar dos EUA (USDX, um indicador que mede o valor do dólar contra uma cesta de moedas) ficou estável perto de 98,5 após subir quase 1% na sessão anterior.
- A intensificação das ações militares de EUA e Israel contra o Irã aumentou a busca por ativos de proteção (investimentos vistos como mais seguros em crises).
- A alta da energia reforça o medo de inflação (aumento geral de preços) e reduz a chance de o Fed cortar juros em breve.
- O mercado agora espera o próximo corte de juros do Fed em setembro, e não mais em julho.
Dólar apoiado por maior prêmio de risco global
O índice do dólar dos EUA ficou perto de 98,5 após subir quase 1% na sessão anterior, com investidores buscando segurança diante do aumento das tensões no Oriente Médio.
Notícias de que Washington pode ampliar a ação militar contra o Irã, mirando produção de mísseis, programas de drones e ativos navais (navios e equipamentos militares no mar), aumentaram a aversão ao risco (preferência por reduzir exposição a investimentos mais arriscados) nos mercados.
Em momentos de tensão geopolítica, o dólar costuma se beneficiar por ser moeda de reserva (muito usada por governos e bancos centrais) e pela grande liquidez do mercado de títulos do Tesouro dos EUA (papéis do governo americano, considerados de baixo risco). Esse movimento apareceu com investidores migrando para posições defensivas (mais conservadoras).
Choque de energia complica a expectativa de corte de juros
A força do dólar não é só reação de “porto seguro”.
A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito, reacendeu preocupações com inflação. Energia mais cara afeta fretes, produção e preços ao consumidor, o que pode atrasar a melhora rumo à meta de inflação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Com isso, o mercado adiou a expectativa do próximo corte de juros do Fed para setembro, antes previsto para julho. Mesmo assim, ainda estão “no preço” cerca de dois cortes de 25 pontos-base no ano (ponto-base é 0,01%; 25 pontos-base = 0,25 ponto percentual).
Esse ajuste nas expectativas mostra a incerteza sobre por quanto tempo a inflação puxada pela energia pode influenciar o momento das decisões do Fed.
Pressão sobre economias que importam energia
O petróleo mais caro pesa mais sobre grandes economias importadoras de energia, especialmente Europa e Japão.
Energia mais cara pode aumentar o déficit comercial (quando o país compra mais do que vende para o exterior), apertar margens das empresas (lucro depois dos custos) e reduzir a expectativa de crescimento. Isso ajudou a enfraquecer euro e iene em relação ao dólar.
Essa diferença mostra como choques em commodities (matérias-primas como petróleo) podem mexer com moedas por inflação e por comércio exterior.
Perspectiva técnica para o USDX
O US Dollar Index (USDX) está perto de 98,52, levemente acima no dia, e segue estável após se recuperar da mínima de janeiro em 95,34. No geral, há uma fase de recuperação depois da queda forte no meio do inverno.
No gráfico diário, o preço está acima das médias móveis de curto prazo (média móvel é a média do preço em um período, usada para ver tendência). A média de 5 dias (97,97) e a de 10 dias (97,84) estão virando para cima, enquanto a de 20 dias (97,45) e a de 30 dias (97,30) ficam logo abaixo do preço e começam a ficar mais “retas” (perdendo inclinação).

Isso sugere melhora do impulso de curto prazo (força do movimento), com o dólar tentando formar uma base mais alta.
A resistência mais próxima (região onde o preço costuma ter dificuldade para subir) está em 98,80–99,30, onde houve consolidação (movimento lateral) e rejeição (tentativa de alta que falhou). Um rompimento sustentado acima de 99,30 reforçaria a recuperação e abriria caminho para a região psicológica de 100,00–100,30 (nível redondo que chama atenção do mercado).
Na queda, o primeiro suporte (região onde o preço costuma encontrar “chão”) aparece perto de 97,80, seguido por um suporte mais forte em 97,30–97,50. Voltar abaixo de 97,30 enfraqueceria a recuperação e pode trazer o movimento de baixa de volta.
Perguntas frequentes
- Por que o dólar dos EUA está subindo?
O dólar está mais forte por busca de proteção em meio à piora das tensões no Oriente Médio e pela expectativa de que energia mais cara pode adiar cortes de juros do Fed. - Como a alta do petróleo ajuda o dólar?
Petróleo mais caro pode aumentar a inflação nos EUA, reduzindo a pressa do Fed em cortar juros. Menos cortes de juros esperados tendem a favorecer o dólar por aumentar a diferença de rendimento (comparação dos juros pagos) contra outras moedas. - Por que euro e iene estão sob pressão?
Europa e Japão importam muita energia. Com petróleo mais caro, o custo de importação sobe e o crescimento pode perder força, o que pressiona suas moedas para baixo frente ao dólar. - A expectativa de corte de juros do Fed mudou?
Sim. O mercado passou a esperar o próximo corte em setembro, e não em julho, embora ainda veja dois cortes no ano. - O que poderia enfraquecer o dólar daqui para frente?
Uma redução rápida das tensões geopolíticas, queda dos preços de energia ou dados fracos da economia dos EUA podem diminuir a busca por proteção e trazer de volta a expectativa de cortes de juros mais cedo.
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