
Pontos-chave
- O petróleo Brent subiu US$ 1,67 (2,05%), para US$ 83,07 por barril, enquanto o WTI (petróleo dos EUA) avançou US$ 1,94 (2,60%), para US$ 76,60.
- O transporte pelo Estreito de Ormuz (passagem marítima estreita e estratégica por onde passa muito petróleo) quase parou pelo quinto dia, com cerca de 329 navios petroleiros presos no Golfo.
- O Iraque reduziu a produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o Catar declarou “força maior” nas exportações de gás (aviso de que não consegue cumprir contratos por motivo fora do controle), o que pode afetar a oferta de energia por pelo menos um mês.
Os preços do petróleo subiram na quinta-feira, pois o conflito entre Estados Unidos e Irã segue afetando o fluxo de energia no Oriente Médio. O Brent avançou US$ 1,67 (2,05%), para US$ 83,07 por barril às 01h41 GMT (horário de referência global), enquanto o WTI subiu US$ 1,94 (2,60%), para US$ 76,60.
O movimento mostra a preocupação do mercado com o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo, que desacelerou até quase parar.
Essa rota costuma transportar quase um quinto do consumo global de energia, então até interrupções curtas mexem com preços e decisões de governos.
O mercado também reagiu à escalada da guerra entre EUA e Irã. Na quarta-feira, um ataque dos EUA atingiu um navio de guerra iraniano perto do Sri Lanka, e senadores republicanos dos EUA votaram contra uma proposta de dois partidos que buscava parar os ataques aéreos e exigir autorização do Congresso para continuar as ações militares.
Esse apoio político sugere que a campanha militar pode continuar no curto prazo.
Se a tensão continuar, traders (participantes que compram e vendem no mercado) podem seguir incluindo um prêmio geopolítico (valor extra no preço por causa do risco de conflito) no petróleo. Ainda assim, o mercado observa por quanto tempo dura a interrupção. Conflitos curtos costumam causar altas rápidas que diminuem quando o transporte normaliza.
Bloqueio em Ormuz cria gargalo imediato de oferta
O transporte pelo Estreito de Ormuz quase parou pelo quinto dia, criando um gargalo (ponto de travamento) nas exportações de energia. O J.P. Morgan estima que cerca de 329 navios de petróleo estão presos no Golfo, sem conseguir atravessar com segurança o canal estreito.
O risco de segurança segue alto após a agência britânica de operações de comércio marítimo relatar uma grande explosão ouvida e vista pelo comandante de um navio-tanque ancorado a 30 milhas náuticas (medida usada no mar) a sudeste do Mubarak Al Kabeer, no Kuwait. Depois, uma embarcação pequena foi vista saindo da área, aumentando o medo de que navios comerciais virem alvo.
Mesmo com o Irã evitando atingir a maior parte das grandes instalações de energia até agora, o risco no transporte continua alto. Diante disso, muitos negociadores elevam o preço de contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro a um preço definido) para garantir oferta, o que ajuda a explicar a alta.
Se o bloqueio continuar, refinarias (fábricas que transformam petróleo em combustíveis) na Ásia e na Europa podem receber cargas com atraso. Isso pode apertar a oferta no mercado físico (entrega real) e empurrar preços para cima no curto prazo. Se patrulhas navais reabrirem a rota rapidamente, a pressão pode diminuir.
Cortes de produção aumentam a pressão sobre a oferta
Ao mesmo tempo, problemas na produção na região reduziram a “margem de segurança” que costuma existir em crises.
O Iraque, segundo maior produtor de petróleo da OPEP (grupo de países exportadores de petróleo), reduziu a produção em quase 1,5 milhão de barris por dia por falta de espaço para armazenar e por não ter uma rota de exportação viável. Com exportações limitadas, o produtor não consegue escoar o petróleo mesmo com os poços funcionando.
Enquanto isso, o Catar declarou “força maior” nas exportações de gás, e fontes indicaram que a volta ao volume normal pode levar pelo menos um mês. O Catar é o maior produtor de GNL (gás natural liquefeito: gás resfriado para virar líquido e ser transportado), então uma parada longa pode apertar também o mercado global de gás.
Esses fatos acontecem quando os estoques de energia em várias regiões já estão perto da média da época do ano. Menos produção somada a transporte travado pode causar falta de curto prazo em alguns mercados, sustentando os preços se a situação se prolongar.
Análise de gráficos (técnica)
O petróleo WTI (CL-OIL, código do ativo na plataforma) está perto de US$ 76,97, com alta de cerca de 1,17%, mantendo uma forte tendência de alta desde a mínima de dezembro perto de US$ 54,87. No gráfico diário, a tendência segue positiva, com máximas e mínimas cada vez mais altas.
Pelo lado dos gráficos, o preço está bem acima das principais médias móveis (média do preço em um número de dias, usada para ver a direção da tendência). A média móvel de 5 dias (73,22) e a de 10 dias (69,57) sobem forte, enquanto a de 20 dias (66,77) e a de 30 dias (65,61) ficam bem abaixo do nível atual.

Essa distância maior entre o preço e as médias de prazo mais longo indica força da alta após o rompimento (quando o preço supera uma faixa importante) da área de US$ 70.
A resistência (faixa em que o preço costuma ter dificuldade para subir) imediata está em US$ 77,50–US$ 78,00. Se o preço passar e se manter acima desse nível, pode buscar US$ 79,80–US$ 80,00, um ponto importante por ser um número “redondo” e também um nível observado no gráfico.
Na queda, o primeiro suporte (faixa em que o preço costuma encontrar “piso”) está em US$ 73,00–US$ 74,00, seguido por um suporte mais forte perto de US$ 70,00, onde as médias móveis de curto prazo ficam mais próximas.
No geral, a tendência segue favorável enquanto os preços ficarem acima de US$ 73–US$ 74. Mesmo assim, a alta forte pode trazer um período de consolidação (movimento mais lateral, sem tendência clara) antes do próximo movimento.
Perguntas frequentes (FAQs)
- Por que o preço do petróleo subiu hoje?
O petróleo subiu porque o mercado considerou o risco de falta de oferta por causa da guerra EUA–Irã e da desaceleração do transporte no Estreito de Ormuz. O Brent avançou US$ 1,67 (2,05%), para US$ 83,07 por barril, e o WTI subiu US$ 1,94 (2,60%), para US$ 76,60. Quando uma rota principal de exportação trava, o preço para entrega rápida costuma subir. - Qual é a importância do Estreito de Ormuz para a oferta global de energia?
O Estreito de Ormuz é importante porque funciona como uma rota central do comércio de energia. Por ele passa quase um quinto do consumo global de energia. Se o transporte “quase para” por vários dias, há atrasos e os preços podem subir rápido, pois refinarias disputam cargas. - O que significa dizer que o transporte quase parou pelo quinto dia?
Significa que menos navios-tanque conseguem tirar petróleo e combustíveis do Golfo no prazo. O J.P. Morgan estima cerca de 329 navios de petróleo presos no Golfo, indicando uma fila crescente de entregas atrasadas. Se durar, o preço à vista (para entrega imediata), o custo do frete e a volatilidade (oscilações rápidas de preço) tendem a aumentar. - Como os cortes de produção do Iraque afetam o preço do petróleo?
Quando o Iraque produz menos, sobra menos petróleo disponível num cenário que já tem risco de transporte. Autoridades disseram que o país cortou quase 1,5 milhão de barris por dia por limitações de armazenamento e rotas de exportação. Menos oferta pode manter os preços firmes se a demanda não cair. - O que a declaração de “força maior” do Catar significa para os mercados de energia?
“Força maior” significa que o Catar afirma não conseguir cumprir parte dos contratos por motivos fora do seu controle. O Catar, maior produtor de GNL no Golfo, fez essa declaração nas exportações de gás, e fontes disseram que o volume normal pode levar pelo menos um mês para voltar. Isso pode reduzir a oferta de GNL e, como os mercados de combustíveis se influenciam, também pode afetar o sentimento no petróleo.
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