Ouro avança à medida que o conflito no Estreito de Ormuz se amplia

by VT Markets
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Mar 2, 2026

Pontos principais

  • O ouro subiu pela quinta sessão seguida, perto das máximas de quatro semanas.
  • A notícia de que o Irã fechou o Estreito de Ormuz aumentou o medo de falta de oferta e de inflação (alta generalizada de preços).
  • O dólar americano segue forte, mas a busca por proteção continua sustentando o ouro.
  • A alta do petróleo aumenta o risco de inflação e dificulta prever os próximos passos do Fed (o banco central dos EUA) nos juros.

O preço do ouro ampliou os ganhos na terça-feira e completou a quinta alta seguida, com o aumento das tensões no Oriente Médio.

O ouro à vista (preço para compra imediata) ficou perto de US$ 5.363 por onça, enquanto os futuros nos EUA (contratos para compra e venda em uma data futura) se aproximaram de US$ 5.377. A alta vem após o aumento das ações militares entre Estados Unidos, Israel e Irã, e o mercado passou a colocar mais preço no risco de um conflito regional longo.

A procura por “porto seguro” (investimento usado como proteção em momentos de risco) aumentou, porque ainda há muita incerteza sobre quanto tempo o conflito pode durar e até onde pode se espalhar.

Fechamento do Estreito de Ormuz aumenta o risco

A mídia iraniana informou que um alto oficial da Guarda Revolucionária Islâmica disse que o Estreito de Ormuz foi fechado e alertou que navios que tentarem passar poderão ser atacados.

O Estreito concentra cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo. Mesmo uma interrupção curta já reduz a oferta esperada de energia e aumenta o risco para a economia como um todo.

A tensão no mercado de petróleo aumenta a expectativa de inflação, o que afeta os “juros reais” (juros descontados da inflação), um fator importante para o preço do ouro.

Embora a situação das rotas marítimas ainda mude rapidamente, a reação do mercado mostra maior preocupação com o risco de falta de energia.

Ouro e dólar subindo ao mesmo tempo

O dólar americano está perto da máxima de mais de cinco semanas, também por ser visto como ativo de proteção.

Um dólar mais forte costuma dificultar a alta do ouro, mas essa relação contrária perde força em momentos de forte tensão geopolítica. Os traders (operadores do mercado) muitas vezes compram os dois ao mesmo tempo para se proteger.

Essa alta conjunta sugere que o foco é proteger o dinheiro, e não apenas a variação do câmbio.

Pressão de inflação e impacto na política de juros

A alta do petróleo e a queda no volume de transporte pelo Estreito de Ormuz reforçam a preocupação com inflação.

Se a energia continuar cara, a expectativa de inflação pode subir, e o mercado pode mudar sua previsão sobre quando o Federal Reserve vai cortar juros.

A alta atual do ouro reflete:

  • Risco geopolítico imediato
  • Medo de a inflação permanecer alta por mais tempo

A combinação dessas forças deve influenciar a volatilidade (oscilações de preço) no curto prazo.

Análise técnica (leitura do gráfico)

O ouro (XAUUSD, código do ouro contra o dólar) está perto de 5.365, com alta de cerca de 0,8% no dia, seguindo em direção ao topo anterior em 5.598,60. No gráfico diário, a tendência segue de alta, com máximas e mínimas cada vez maiores desde a queda de fevereiro.

O preço está acima das principais médias móveis (médias do preço ao longo de alguns dias, usadas para ver a tendência). As médias de 5 dias (5.264) e 10 dias (5.177) estão subindo, enquanto as de 20 dias (5.074) e 30 dias (5.057) ficam bem abaixo do preço atual e também apontam para cima. Esse alinhamento confirma força na alta e reforça a tendência.

A resistência (região onde o preço costuma ter dificuldade para passar) está perto de 5.550–5.600, onde o topo anterior barrou a alta. Um rompimento consistente acima de 5.600 confirmaria uma nova etapa de alta e pode abrir caminho para a região de 5.750.

Na queda, o primeiro suporte (região onde o preço costuma encontrar força compradora) fica em 5.250–5.300, seguido por um suporte mais forte perto de 5.100. Enquanto o preço ficar acima da média de 20 dias, a tendência de alta segue válida, e recuos tendem a ser correções, não uma mudança de tendência.

Perguntas frequentes

  1. Por que o ouro está subindo pela quinta sessão seguida? O ouro está sendo favorecido pela demanda por proteção (“porto seguro”), com o aumento das ações militares de EUA e Israel contra o Irã e a maior incerteza sobre o Estreito de Ormuz.
  2. Como o Estreito de Ormuz afeta o preço do ouro? O Estreito concentra cerca de 20% do transporte mundial de petróleo. Uma interrupção eleva o preço do petróleo e aumenta o medo de inflação. Com isso, os juros reais (juros menos inflação) podem cair, o que costuma ajudar o ouro.
  3. Por que o ouro sobe mesmo com o dólar forte? Em momentos de maior tensão geopolítica, traders costumam comprar ouro e dólar como proteção. Nessas situações, a relação “um sobe e o outro cai” pode enfraquecer.
  4. A alta do petróleo pode levar o ouro ainda mais para cima? Sim. Energia mais cara pode manter a expectativa de inflação elevada e dificultar decisões de política de juros dos bancos centrais, o que tende a apoiar o ouro.
  5. O que poderia limitar a alta do ouro daqui para frente? Uma redução clara das tensões no Oriente Médio, estabilização do mercado de petróleo ou uma alta forte dos juros reais (juros acima da inflação) pode diminuir a busca por proteção e levar o preço a andar de lado.

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