O ouro recua enquanto o petróleo mantém elevada a pressão sobre os juros

by VT Markets
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Apr 23, 2026

Pontos-chave

  • O ouro caiu 0,7% para US$ 4.705,09, e os contratos futuros (acordos para comprar ou vender no futuro, por um preço definido) recuaram 0,6% para US$ 4.722,10.
  • A chance de o Fed cortar juros caiu para 23% (de 28%), enquanto o petróleo segue acima de US$ 100.

O ouro caiu em um pregão instável, com o mercado voltando a focar no risco de inflação, impulsionado por uma nova alta do petróleo. O ouro à vista (preço para compra imediata) caiu 0,7% para US$ 4.705,09 por onça, enquanto os contratos futuros de ouro nos EUA para entrega em junho recuaram 0,6% para US$ 4.722,10.

Isso aconteceu porque o petróleo Brent (tipo de petróleo usado como referência global de preços) ficou acima de US$ 100 por barril, apoiado por uma queda maior do que o esperado nos estoques de gasolina e de destilados (derivados como diesel) nos EUA e pela falta de avanço nas conversas de paz entre EUA e Irã. Petróleo forte costuma aumentar a expectativa de inflação, o que endurece as condições financeiras (crédito mais caro e mais difícil) mesmo sem o Federal Reserve agir.

Nossa equipe de análise observa que o petróleo voltando para três dígitos (acima de 100) mantém a inflação no centro das atenções, o que pressiona o ouro. Isso segue um padrão comum: o ouro tende a ir pior quando a inflação faz os rendimentos dos títulos subirem, em vez de funcionar como proteção.

Geopolítica mantém o mercado de energia pressionado

As tensões no Oriente Médio continuam sustentando o preço do petróleo em níveis altos. A apreensão de dois navios pelo Irã no Estreito de Ormuz reforçou o medo de interrupção no fornecimento, especialmente depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou ataques, mas manteve um bloqueio naval (restrição feita por navios de guerra para limitar tráfego marítimo).

O cenário deixou de ser um aumento curto por causa do conflito e passou a parecer mais duradouro. O presidente do parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, sinalizou que um cessar-fogo total depende do fim do bloqueio, o que sugere que o impasse pode se alongar.

O mercado já embute (reflete nos preços) a ideia de que o petróleo seguirá sustentado por mais tempo. Isso cria um ciclo: energia mais cara aumenta custos de transporte e produção, o que mantém a inflação difícil de cair e reduz a pressa de bancos centrais em cortar juros.

Expectativas de juros passam a pesar contra o ouro

As expectativas para os juros começaram a ficar negativas para o ouro. Uma pesquisa da Reuters mostrou que o Federal Reserve (banco central dos EUA) pode esperar pelo menos seis meses antes de cortar juros, porque a inflação puxada pela energia volta a ganhar força.

Os preços no mercado mostram essa mudança. Os traders (participantes que compram e vendem ativos no curto prazo) agora veem só 23% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro, abaixo de 28% há uma semana. Antes do aumento da tensão geopolítica, o mercado esperava dois cortes de juros neste ano.

Essa reprecificação (mudança de preço por mudança de expectativa) é importante para o ouro. Embora o ouro seja visto como proteção contra a inflação, ele costuma render pior quando a inflação faz os rendimentos reais subirem. Rendimentos reais são os ganhos depois de descontar a inflação. Nesse cenário, ativos que pagam rendimento (como títulos) ficam mais atrativos, tirando dinheiro do ouro.

Análise técnica

O XAUUSD (cotação do ouro em dólar) está perto de 4702, caindo levemente. O preço não consegue estender a recuperação recente e passa a andar de lado abaixo de uma resistência de curto prazo (região onde costuma ter venda e o preço trava). Depois de reagir da mínima de 4098, o ouro formou uma base modesta, mas a força de alta começa a perder ritmo enquanto o preço consolida (fica oscilando em uma faixa).

Pelo gráfico, o viés (tendência provável) é neutro a levemente de baixa no curto prazo.

O preço está perto da média móvel de 20 dias (4702,80), enquanto a de 5 dias (4762,81) e a de 10 dias (4772,65) viraram para baixo e estão acima do nível atual, funcionando como resistência imediata. Média móvel é uma média do preço em um período, usada para ver tendência. Isso mostra que a força compradora recente enfraqueceu e o mercado entrou em consolidação.

Níveis para acompanhar:

  • Suporte: 4650 → 4500 → 4375 (suporte é onde o preço costuma parar de cair)
  • Resistência: 4770 → 4850 → 5000 (resistência é onde o preço costuma parar de subir)

O mercado consolida abaixo da resistência em 4770, onde altas recentes perderam força. Um rompimento acima desse nível pode trazer de volta a força de alta e abrir caminho para 4850, com mais espaço se o preço voltar para uma faixa mais alta.

Na queda, 4650 funciona como primeiro suporte. Se perder esse nível, pode abrir espaço para 4500 e, se a pressão de venda aumentar, para 4375.

No geral, o ouro está perdendo força de alta depois do salto de recuperação, com o preço preso entre médias móveis mais achatadas (com pouca inclinação, indicando falta de tendência). O foco no curto prazo é saber se os compradores retomam 4770 ou se o mercado vira para baixo e volta a cair dentro de uma correção mais ampla (queda após uma alta).

O que os traders devem observar a seguir

A próxima etapa do ouro depende de o petróleo ficar acima de US$ 100 e manter as expectativas de inflação altas. Se a energia seguir firme e a aposta em corte de juros continuar diminuindo, o ouro pode ter dificuldade para sustentar alta.

Por outro lado, qualquer alívio na tensão geopolítica ou queda do petróleo pode mudar rapidamente a visão do mercado a favor do ouro, principalmente se os traders voltarem a precificar cortes de juros mais cedo.

No curto prazo, o comportamento do preço perto de 4700 será decisivo, enquanto o mercado busca direção entre a inflação persistente e a chance de alívio na política monetária (decisões de juros e crédito do banco central).

Perguntas de traders

Por que o ouro caiu mesmo com a tensão geopolítica aumentando?

O ouro caiu 0,7% para US$ 4.705,09 porque a alta do petróleo aumentou a expectativa de inflação e, com isso, diminuiu a chance de cortes de juros. Essa mudança na visão de juros costuma pesar mais no ouro do que o risco geopolítico ajuda.

Como o preço do petróleo está afetando o ouro agora?

O Brent acima de US$ 100 por barril mantém a preocupação com a inflação alta. Energia mais cara aumenta custos na economia e pode manter os juros altos por mais tempo, reduzindo o apelo do ouro.

O que a queda na expectativa de corte de juros do Fed significa para o ouro?

Os traders veem apenas 23% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro, abaixo de 28% há uma semana. Menos cortes esperados geralmente sustentam os rendimentos, deixando ativos que pagam rendimento mais atrativos do que o ouro.

Quais níveis principais observar no XAUUSD?

O ouro está perto de 4702, próximo da média móvel de 20 dias (MA20) em 4702,80. A resistência está em 4762,81 (MA5) e 4772,65 (MA10). Uma queda abaixo da área de 4700–4680 pode abrir espaço para baixas maiores.

O ouro ainda funciona como proteção contra a inflação?

O ouro pode proteger contra a inflação, mas quando a inflação leva a juros mais altos, ele costuma sofrer. Aqui, a alta do petróleo está elevando os rendimentos, o que limita a alta do ouro.

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