
Pontos principais
- NG-C é negociado a 2,693, queda de 0,017 (-0,63%), após máxima de 2,705 e mínima de 2,689.
- O gás “em estoque” (gás guardado para uso futuro) nos EUA ficou em 1.970 Bcf na semana encerrada em 10 de abril, ou 108 Bcf acima da média de cinco anos de 1.862 Bcf. (Bcf = bilhões de pés cúbicos, uma unidade de volume de gás).
- O gás enviado para produzir GNL (gás natural liquefeito, gás resfriado que vira líquido para exportação) segue forte, perto de 18,9 bcfd em abril, mas clima ameno e estoques altos ainda limitam a alta. (bcfd = bilhões de pés cúbicos por dia).
O gás natural nos EUA segue pressionado porque a relação entre oferta e demanda no mercado interno continua fraca. Os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro) ficam perto de US$ 2,69 a US$ 2,70 por MMBtu (unidade de energia), perto dos menores níveis desde o fim de 2024, mesmo após uma alta recente de cinco sessões.
O mercado tentou ganhar sustentação com produção menor e exportações fortes de GNL, mas isso não foi suficiente para superar o peso maior dos estoques e do clima.
Esse é o ponto central. Não falta motivo para alta. O problema é que a pressão de baixa (força que puxa os preços para baixo) é maior por causa do clima ameno na primavera e dos estoques confortáveis.
Cortes de Produção Não Foram Suficientes
A produção diminuiu nas últimas semanas. A média caiu cerca de 3,9 bcfd nos últimos 15 dias, para algo como 108,2 a 108,3 bcfd, o menor nível em 10 a 11 semanas (dependendo da fonte de dados). Essa queda ajudou a impedir uma queda contínua dos preços.
Em um mercado mais apertado (com pouca oferta), uma queda desse tamanho poderia gerar uma alta maior. Desta vez, apenas reduziu a velocidade da queda, porque os estoques seguem altos e o clima não trouxe demanda forte por aquecimento ou refrigeração para apertar o equilíbrio entre oferta e demanda.
No curto prazo, uma produção mais fraca pode estabilizar os preços, mas dificilmente gera uma alta firme sem melhora da demanda.
Força do GNL Encontra Limites de Capacidade
A demanda por gás usado para produzir GNL também segue ajudando. Os fluxos para as principais usinas de exportação dos EUA subiram para cerca de 18,9 bcfd em abril, acima de 18,6 bcfd em março e perto de recordes. As exportações de GNL dos EUA bateram recorde em março porque as plantas operaram acima da capacidade nominal (a capacidade “oficial” de projeto) e novas unidades começaram a operar.
Isso importa porque o GNL é uma das poucas fontes constantes de aumento de demanda no mercado de gás dos EUA. O problema é que o mercado já sabe disso. Quando os terminais de exportação já estão operando perto do limite, o ganho de “GNL forte” diminui, a menos que haja mais capacidade ou a oferta interna caia mais.
Por isso o gás pode seguir pesado mesmo com fluxo quase recorde. A exportação ajuda, mas não é novidade suficiente para superar fundamentos internos fracos (estoques altos e demanda moderada).
Estoques Ainda São o Principal Fator
Os estoques são o motivo mais claro de o mercado não sustentar altas. Os dados mais recentes da EIA (agência de dados de energia dos EUA) mostraram 1.970 Bcf, 126 Bcf acima do ano passado e 108 Bcf acima da média de cinco anos. Isso deixa os estoques cerca de 6% acima do normal de cinco anos; outros resumos citam algo perto de 7%, conforme a semana usada na comparação.
Esse é um ponto de partida confortável para a temporada de injeção (período em que o gás é colocado nos reservatórios/estoques, comum na primavera e no verão). Quando o período começa acima da média e o clima fica ameno, o mercado não precisa precificar escassez. Ele foca em quão rápido o sistema consegue continuar enchendo.
Isso limita qualquer tentativa de alta. Exportações fortes de GNL e produção menor ajudam, mas estoques elevados reduzem o risco de falta e seguram os preços.
Clima Vai Contra a Alta
As previsões também mudaram de forma desfavorável para o preço. Antes, havia algum suporte com expectativa de mais frio, mas o cenário mais recente aponta clima mais quente em partes do Meio-Oeste e temperaturas perto do normal até o começo de maio. Isso reduz a demanda por aquecimento e limita o consumo das usinas de energia (“queima” de gás para gerar eletricidade) necessário para apertar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Nesta época do ano, o clima não precisa estar muito quente para pressionar o gás. Basta estar ameno o suficiente para não aparecer nem uma demanda forte por aquecimento no fim da temporada, nem uma demanda antecipada por refrigeração.
Isso mantém o mercado preso em uma faixa fraca no período sazonal.
Perspectiva Técnica do NG-C
O gás natural (NG-C) é negociado perto de 2,69, pouco acima das mínimas recentes, enquanto o mercado segue caindo após a forte rejeição do pico de 5,69 no começo do ano. O movimento de preço ficou mais “de lado” nas últimas sessões, mas a estrutura geral ainda mostra queda contínua e tentativas fracas de recuperação.
Pelo lado técnico (leitura por gráficos), o viés segue de baixa, mas com sinais de estabilização no curtíssimo prazo. O preço está abaixo da média móvel de 20 dias (2,80) (média do preço dos últimos 20 dias), que segue apontando para baixo e limita as altas. As médias de 5 dias (2,69) e 10 dias (2,67) estão muito próximas do nível atual, o que indica pouco impulso (pouca força direcional) e um mercado tentando formar um “piso” após uma queda longa.

Níveis importantes para acompanhar:
- Suporte: 2,58 → 2,50 → 2,30 (regiões onde o preço costuma parar de cair e pode reagir)
- Resistência: 2,70 → 2,80 → 3,00 (regiões onde o preço costuma ter dificuldade de subir)
No momento, o mercado está consolidando (andando de lado) pouco acima da zona de suporte em 2,58, onde a pressão vendedora começou a diminuir. Perder esse nível reforça a tendência de baixa e pode abrir espaço para 2,50.
Na alta, 2,70 é a resistência imediata. Acima desse nível, pode haver repique de curto prazo até 2,80, mas a recuperação tende a encontrar vendas, a menos que o preço volte e se mantenha acima de 3,00 (patamar psicológico).
No geral, o gás natural segue pressionado, com mais sinais de cansaço da queda do que de reversão (virada clara para alta). O foco é saber se o preço segura acima de 2,58 para formar uma base, ou se a fraqueza continua e leva a uma nova queda.
O Que os Traders Devem Observar a Seguir
O próximo movimento depende de a produção continuar caindo e de o clima ficar quente o suficiente para aumentar a demanda por energia elétrica. Os números semanais de estoque continuam sendo o principal termômetro para saber se o mercado está realmente ficando mais apertado ou apenas fazendo uma pausa antes de nova fraqueza.
Se os estoques continuarem aumentando acima do normal e as temperaturas seguirem amenas, o gás natural pode ficar perto das mínimas atuais. Se a produção cair mais e o clima ajudar, o mercado pode tentar voltar acima de US$ 2,80.
Perguntas de Traders
Por que o gás natural dos EUA ainda está perto de US$ 2,70?
O gás natural segue sob pressão porque o clima ameno na primavera e os estoques altos pesam mais do que o suporte de produção menor e exportações fortes de GNL. Os preços recentemente ficaram em torno de US$ 2,66 a US$ 2,69 por MMBtu (unidade de energia), mantendo o mercado perto das mínimas.
Por que a queda na produção não gerou uma alta maior?
A produção caiu para cerca de 108,2 bcfd, o que ajuda, mas os estoques ainda são altos o suficiente para absorver essa queda de oferta por enquanto. Quando a temporada de injeção começa acima do normal, só a produção mais fraca costuma não ser suficiente para uma alta sustentada.
Quão fortes estão as exportações de GNL agora?
O fluxo de gás para as principais plantas de exportação de GNL dos EUA está em torno de 18,9 bcfd em abril, perto de recordes e acima dos 18,6 bcfd de março. Isso ajuda a demanda, mas o mercado já vem considerando esse fator há algum tempo.
Por que o GNL forte não basta para elevar mais os preços?
Porque o mercado interno ainda está folgado (oferta confortável). A demanda de exportação é forte, mas os estoques seguem acima da média e o clima não esteve frio ou quente o suficiente para apertar o equilíbrio entre oferta e demanda. Assim, o GNL ajuda, mas não manda no preço.
Quão altos estão os estoques agora?
O gás em estoque ficou em 1.970 Bcf na semana encerrada em 10 de abril, 126 Bcf acima do mesmo período do ano passado e 108 Bcf acima da média de cinco anos de 1.862 Bcf.
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