
Pontos-chave
- O Índice do Dólar (DXY) — que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas fortes — opera perto de 102 em 14 de outubro, após recuar da máxima de 18 meses de 102,37 vista na segunda-feira.
- O dólar caiu cerca de 0,37% na terça-feira: a baixa do petróleo reduziu a preocupação com inflação e as expectativas sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mudaram.
- O CPI cheio dos EUA (inflação ao consumidor, índice que mede a variação de preços) deve subir para 3,6% na comparação anual (YoY) em setembro, ante 3,4% antes.
- Os juros dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) seguem altos e sustentam o dólar.
- Um CPI acima do previsto pode fortalecer o dólar e elevar os juros; um número mais fraco pode trazer nova pressão vendedora.
- O ouro, o EURUSD (euro/dólar) e o USDJPY (dólar/iene) podem ter movimentos mais fortes conforme traders ajustam posições após o dado.
Movimento do mercado
A alta do dólar até a máxima de 18 meses em 102,37 na segunda-feira perdeu força na terça. O DXY caiu cerca de 0,37%, com a queda do petróleo aliviando parte do receio de inflação e com a mudança nas apostas para o Fed.
Na sessão mais recente, o índice anda de lado em uma faixa estreita pouco abaixo de 102. O intradiário foi instável: o DXY caiu em direção a 101,86 e depois voltou para perto de 101,90, sinal de que ainda há compra nas quedas antes de um dado importante.
O que o mercado está acompanhando
O foco vai para o CPI de setembro. A inflação cheia deve subir para 3,6% YoY, ante 3,4%, indicando que a alta de preços segue difícil de ceder. O CPI é o principal dado para calibrar as expectativas de política monetária do Fed (decisões sobre juros).
Com os juros dos Treasuries em patamar elevado, qualquer mudança na leitura de inflação pode mexer rápido com o humor do mercado. O PPI de 15 de outubro (inflação ao produtor, que mede preços na porta da fábrica e pode antecipar pressão nos preços ao consumidor) traz um segundo teste, mantendo a volatilidade.
Níveis importantes
| Nível | Tipo | Importância |
| 102,37 | Resistência | Máxima de 18 meses na segunda-feira |
| 102,00 | Pivô / psicológico | Número “redondo” e referência do mercado; voltar e sustentar acima favorece alta |
| 101,99 | Resistência intradiária | Máxima da sessão |
| 101,86 | Suporte intradiário | Mínima da sessão |
O nível mais importante acima é 102,37, máxima de 18 meses na segunda-feira. O mercado não conseguiu superar esse teto antes do recuo, então uma volta a essa região tende a encontrar vendas. Um fechamento claro acima indicaria força renovada. Logo abaixo está 102,00, que funciona como pivô. Com o DXY perto de 101,9, recuperar e sustentar 102,00 sugere retomada do controle pelos compradores; rejeições repetidas nessa faixa deixam o dólar mais exposto a novas quedas.
101,99 é a máxima do dia e a primeira resistência. Na parte de baixo, 101,86 é a mínima e o suporte mais próximo. Se romper, aumenta a chance de uma correção mais profunda.
Cenários de alta e de baixa

| Cenário | Gatilho | Confirmação |
| Alta | CPI em 3,6% YoY ou acima, puxando os juros dos Treasuries e reforçando um Fed mais duro (hawkish, isto é, mais disposto a manter juros altos) | DXY volta e se mantém acima de 102,00, com avanço rumo a 102,37; fechamento acima de 102,37 abre espaço para novas máximas em meses |
| Baixa | CPI abaixo de 3,6% YoY, aliviando os juros e reduzindo apostas em um Fed mais duro | DXY rompe e se mantém abaixo de 101,86 (mínima da sessão), com vendedores mirando queda maior; ouro e EURUSD tendem a ganhar força |
Para um cenário de alta, o índice precisa recuperar 102,00 e buscar novo teste de 102,37. Fechar acima de 102,37 abre caminho para novas máximas em vários meses.
No cenário de baixa, o DXY cairia abaixo da mínima de 101,86, com alvo em recuos mais fortes.
Aviso
Os níveis de preço e os cenários acima refletem a avaliação do autor no momento da publicação. Não são aconselhamento financeiro nem recomendação oficial da VT Markets. Faça sua própria análise e cuide do risco.
Previsão do DXY: o que pode mexer com o mercado?
O principal motor no curto prazo é a inflação dos EUA. Um CPI de setembro em 3,6% YoY ou acima reforça a visão de um Fed mais duro, empurrando os juros dos Treasuries para cima e aumentando a demanda por dólar. Como o DXY reage muito à diferença de juros entre países (yield differential, a comparação do rendimento dos títulos), qualquer alta dos juros americanos em relação a outras economias costuma apoiar o índice. O PPI traz outra leitura de inflação: se vier forte, pode prolongar o movimento.
Pelo lado negativo, um CPI mais fraco reduz a expectativa de alta de juros, derruba os rendimentos e pode acelerar vendas de dólar. A queda do petróleo também pode pesar sobre o dólar porque energia mais barata reduz a pressão inflacionária e diminui a necessidade de o Fed manter uma postura agressiva. Mudanças no discurso do Fed podem ter efeito parecido.
Além dos dados dos EUA, o dólar reage ao desempenho das moedas que compõem o índice. Como o euro tem o maior peso na cesta, uma melhora na perspectiva da zona do euro ou um Banco Central Europeu mais duro (mais disposto a manter juros altos) pode puxar o DXY para baixo; já a fraqueza de euro ou iene tende a sustentar o índice.
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FAQ
O que é o Índice do Dólar (DXY)?
O DXY mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas importantes, como euro, iene e libra.
Por que o CPI mexe com o dólar?
O CPI mostra a velocidade de aumento dos preços. Inflação mais alta aumenta a chance de o Fed manter ou elevar juros, o que tende a elevar os rendimentos dos títulos e a sustentar o dólar.
O que acontece com o ouro se o CPI vier forte?
O ouro costuma perder força quando o dólar e os juros sobem, e tende a subir quando eles recuam.
Quais pares são mais afetados?
EURUSD e USDJPY reagem de forma mais direta, assim como o ouro, porque todos são sensíveis ao dólar e aos juros.
Qual é o próximo dado depois do CPI?
O PPI dos EUA sai em 15 de outubro.
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