Um recuo do petróleo aliviou a venda global de títulos e reduziu o ímpeto da recente alta do dólar, após relatos de conversas entre negociadores dos EUA e do Irã sobre um acordo de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz. Ainda assim, o dólar segue recebendo suporte da ampliação dos diferenciais de juros entre os EUA e o G6. Esse vento a favor, porém, é moderado pelo aperto de outros grandes bancos centrais, que reduz a divergência de política em relação ao Fed e pode impedir um movimento sustentado acima da máxima de junho do dólar.
Os fluxos transfronteiriços são apresentados como um contraponto a esse “teto”. Nos 12 meses até julho, investidores estrangeiros acumularam US$ 1,754 tri em títulos de longo prazo dos EUA, incluindo Treasuries (bonds e notes), títulos corporativos, ações e papéis de agências governamentais; em contraste, o déficit comercial dos EUA no mesmo período foi de -US$ 743 bi. A disparidade indica uma demanda subjacente firme por dólares, mesmo com a convergência da política monetária global limitando ganhos adicionais.
Faixa de Negociação do Dólar e Estratégias com Derivativos
Esperamos que o dólar americano permaneça preso em uma faixa estreita de negociação nas próximas semanas, à medida que a estabilização dos preços do petróleo esfria o momentum recente da moeda. Por isso, recomendamos que operadores de derivativos priorizem estratégias voltadas para mercado lateral, como iron condors ou short strangles, em principais pares com o dólar, como EUR/USD. Essa abordagem permite capturar a perda de valor do prêmio (time decay) enquanto o dólar tem dificuldade para romper acima das máximas de junho.
Embora o alargamento dos diferenciais de juros entre os EUA e outras grandes economias ainda ofereça algum suporte, movimentos de aperto por parte de outros bancos centrais estão limitando qualquer rompimento relevante do USD. No momento, o prêmio de rendimento dos Treasuries de 10 anos em relação aos Bunds alemães segue estável perto de 150 pontos-base, mantendo a divergência de política contida. Devemos buscar vender ralis do USD perto de níveis-chave de resistência, supondo que bancos centrais estrangeiros acompanhem o Federal Reserve no último trimestre do ano.
Investimento Estrangeiro e Suporte de Mercado
Ainda que o espaço de alta seja limitado, um forte ingresso de capital estrangeiro garante um piso bastante sólido para o dólar. Dados recentes do Treasury International Capital (TIC) mostram que investidores estrangeiros compraram mais de US$ 1,6 tri em títulos de longo prazo dos EUA no último ano, o que compensa com folga o déficit comercial americano. Podemos usar essa demanda estrutural para identificar níveis de suporte mais confiáveis ao precificar estruturas com opções de venda (puts).
A recente queda do Brent de volta para a faixa dos US$ 70 médios conseguiu reduzir a volatilidade no mercado global de títulos. Custos de energia mais baixos diminuem a pressão sobre os yields globais, tornando compras agressivas de USD menos atraentes no curto prazo. Operadores de derivativos devem monitorar os próximos relatórios de energia de outubro e os desdobramentos do transporte marítimo global para se proteger contra volatilidade súbita, impulsionada pelo petróleo.
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