O Relatório Mensal do Tesouro de agosto mostrou um déficit federal de US$ 166,8 bilhões, elevando o rombo do ano fiscal de 2026 para US$ 1,97 trilhão, em linha geral com o ritmo do ano anterior, diante de uma dívida nacional declarada de US$ 40 trilhões. Para cada US$ 1 de receita arrecadada neste ano, o governo gastou US$ 1,41, deixando 28,9% das despesas do ano fiscal de 2026 financiadas por endividamento. Os números-chefe de agosto foram afetados por mudanças de calendário; ajustando por gastos antecipados para julho, o déficit de agosto sobe para US$ 248 bilhões, US$ 7 bilhões acima de agosto de 2025. As receitas em agosto totalizaram US$ 360,03 bilhões, incluindo receitas líquidas de tarifas de US$ 12,84 bilhões, o primeiro mês positivo desde abril, enquanto os reembolsos de tarifas caíram para US$ 10,54 bilhões, ante US$ 33,38 bilhões em julho. Com um mês restante, as receitas somaram US$ 4,85 trilhões, alta de 3,3% na comparação anual.
As despesas permaneceram elevadas: US$ 526,83 bilhões em agosto, ou cerca de US$ 608 bilhões após efeitos de calendário, ante US$ 689 bilhões em agosto de 2025. Os gastos nos primeiros 11 meses atingiram US$ 6,81 trilhões, alta de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025; o total do ano passado foi de pouco mais de US$ 7 trilhões, com média de US$ 583,3 bilhões por mês, ou US$ 19,2 bilhões por dia. Projeções do CBO colocam as despesas líquidas em US$ 7,449 trilhões no ano fiscal de 2026, US$ 7,772 trilhões no ano fiscal de 2027 e US$ 8,151 trilhões no ano fiscal de 2028. Os juros brutos do Tesouro foram de US$ 97,7 bilhões em agosto, contra US$ 117,57 bilhões em julho, levando a despesa de juros no acumulado do ano a US$ 1,27 trilhão, cerca de 13% maior, após US$ 1,2 trilhão no ano fiscal de 2025, alta de 7,3% sobre 2024; os juros líquidos foram de US$ 86 bilhões em agosto e, ao longo de 11 meses, os juros superaram a Defesa Nacional (US$ 876 bilhões) e o Medicare (US$ 979 bilhões), com apenas a Previdência Social acima, em US$ 1,5 trilhão.
Déficits fiscais e dívida como vetores de risco de mercado
Não podemos nos dar ao luxo de nos fixar em se o Federal Reserve implementará outra alta de 25 pontos-base neste mês. Com a dívida nacional se aproximando rapidamente de US$ 40 trilhões, o enorme déficit fiscal é o verdadeiro motor do risco de mercado. Esse fluxo incessante de nova dívida pública inevitavelmente distorcerá a curva de juros dos Treasuries.
Recomendamos que operadores de derivativos se posicionem para uma inclinação maior da curva nas próximas semanas. Com o rendimento do Treasury de 10 anos atualmente ao redor de 4,10%, a pressão de financiar um déficit de US$ 1,97 trilhão provavelmente forçará os rendimentos de longo prazo para cima. Comprar opções de venda (puts) em ETFs de Treasuries de duration longa, como o TLT, oferece uma excelente forma de capturar esse movimento.
Posicionamento para mudanças na curva e volatilidade de juros
Na ponta curta da curva, devemos apostar contra a narrativa de juros elevados sustentados. Como os pagamentos líquidos de juros atingiram impressionantes US$ 1,27 trilhão nos primeiros onze meses do ano fiscal de 2026, o governo não consegue sustentar taxas altas por muito mais tempo. Preferimos comprar opções de compra (calls) em futuros de SOFR, antecipando que o Fed terá de pausar ou reverter o curso mais cedo do que o esperado.
A volatilidade de juros está barata no momento porque analistas do mainstream estão ignorando essa realidade fiscal. Devemos explorar isso comprando straddles longos em swaps de juros. À medida que o mercado começar a precificar os hábitos de gasto insustentáveis do governo, esperamos um forte salto na volatilidade de juros.
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