Daniel Lacalle discutiu a mais recente alta de juros do BCE e a decisão do Fed em setembro, argumentando que uma política mais restritiva não consegue reduzir os preços do petróleo ou do gás natural, conter déficits ou reverter a desvalorização monetária. Ele afirmou que juros mais altos se transmitem principalmente via setor privado: os custos de financiamento de PMEs na zona do euro teriam ficado entre 7% e 12%, e alertou que um movimento de 25 pontos-base ainda pode sufocar o crédito enquanto incentiva bancos a estacionarem caixa no BCE. Nos EUA, o crédito para pequenas empresas teria ficado entre 6,5% e 8,5%, e ele citou um estudo do Fed de Nova York sugerindo que manter a taxa média dos Fed Funds acima da taxa neutra pode destruir cerca de 1 milhão de empregos por ano; também mencionou um exemplo de CPI de 3,5% ao discutir as pressões de custo para as famílias.
Sobre dívida soberana, Lacalle descreveu uma disputa sobre qual Estado altamente endividado “quebra” primeiro, citando França, a zona do euro, Japão e Reino Unido, e estimando os passivos comprometidos não financiados da França em aproximadamente 450%–500% do PIB, versus cerca de 350% para a Alemanha. Ele disse que o mercado de dívida soberana está em recessão desde 2022 e segue abaixo dos picos de 2021, enquanto o ouro tem atuado como reserva de valor; acrescentou que os mercados “de papel” de ouro e prata são pelo menos 30 vezes maiores do que o mercado físico, contribuindo para a volatilidade. Ele argumentou que taxas elevadas no crédito rotativo do consumidor, de 23%–24% no cartão de crédito, ilustram a dinâmica de “crowding out” e o setor privado subsidiando o custo de financiamento do governo.
—Estratégia com Derivativos em Meio à Dívida Soberana e ao Arrasto Fiscal
Ao atravessarmos a volatilidade de meados de setembro de 2026, operadores de derivativos precisam se preparar para um mercado descolado das expectativas tradicionais sobre bancos centrais. Enquanto os bancos centrais seguem debatendo o rumo dos juros, nosso foco deve migrar para a enorme bolha de dívida soberana que, de forma silenciosa, está sufocando o crescimento do setor privado. Esperamos que esse arrasto fiscal mantenha a produtividade econômica baixa, ao mesmo tempo em que deixa a inflação real mais persistente do que sugerem os números oficiais.
Dados recentes mostram que a dívida nacional dos EUA avançou rapidamente para além de US$ 39 trilhões em 2026, com o gasto líquido com juros consumindo uma parcela histórica do orçamento federal. Apesar dos esforços do Federal Reserve para calibrar as taxas de juros, os custos de financiamento para pequenas empresas continuam dolorosamente altos, em torno de 8%. Entendemos que esse ambiente torna as proteções tradicionais entre ações e títulos menos confiáveis, exigindo uma abordagem mais tática nos mercados de opções e futuros.
—Oportunidades em Metais Preciosos e Volatilidade de Ações
Para operadores de metais preciosos, recomendamos usar a volatilidade atual, impulsionada pelo mercado “de papel”, para montar posições em opções de compra de longo prazo em ouro e prata. Com o ouro consolidando neste ano níveis acima de US$ 2.500 por onça, recuos de curto prazo no mercado futuro frequentemente são liquidações artificiais, e não mudanças nos fundamentos. Devemos buscar a compra de LEAPS ou estruturas de bull call spread durante essas vendas no mercado “de papel”, para capturar a inevitável desvalorização cambial.
Também vemos oportunidades relevantes em posições vendidas em futuros de dívida soberana, particularmente na Europa, onde passivos não financiados em países como a França superam 400% do PIB. À medida que a economia da zona do euro estagna sob fortes cargas regulatórias e de juros, opções de venda (puts) sobre índices europeus de bonds oferecem uma proteção robusta. A tendência persistente de “re-dolarização” sugere que o dólar americano seguirá dominante, por isso preferimos posições compradas em dólar contra moedas europeias mais fracas.
Em derivativos de ações, devemos nos preparar para altas súbitas do VIX à medida que os defaults corporativos entre pequenas e médias empresas comecem a aumentar. A compra de opções de venda fora do dinheiro (out-of-the-money) em índices de varejo e small caps, como o Russell 2000, faz sentido, já que condições de crédito mais apertadas comprimem as margens de lucro. Recomendamos rotacionar estratégias de coleta de prêmio, como iron condors, para fora de setores cíclicos mais vulneráveis e em direção a ativos reais.
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