Panorama Mensal do Mercado: Junho

by VT Markets
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Aug 12, 2026

Junho foi mais um mês de forte oscilação nos mercados globais, com eventos geopolíticos (fatores ligados a conflitos e relações entre países) no centro das atenções. A guerra de 12 dias entre Israel e Irã, somada às especulações sobre tarifas (impostos de importação) e mudanças regulatórias (novas regras do governo), levou traders e investidores a equilibrar cautela e otimismo, especialmente após dados econômicos melhores vindos da China.

O petróleo disparou para US$ 75 por barril quando Israel atacou o Irã em 13 de junho. O temor de uma escalada para uma guerra regional mais ampla e as ameaças de fechar o Estreito de Ormuz aumentaram o risco de interrupção na oferta global de petróleo. Isso elevou a preocupação com a inflação (alta generalizada de preços) num momento em que os bancos centrais já enfrentam o dilema entre inflação ainda alta e crescimento mais fraco.

O conflito gerou uma queda rápida em ações e criptoativos, com investidores reduzindo risco e migrando para ativos considerados mais seguros. Porém, o cessar-fogo diminuiu o medo de choques prolongados de energia e de um conflito maior. Desde então, o petróleo recuou para abaixo de US$ 65 por barril, com demanda fraca e tensões dentro da OPEP+ (grupo de países produtores, liderado por OPEP e aliados) pressionando as cotações. As bolsas subiram, e S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas.

Em alguns momentos, o ouro se moveu de forma parecida com o Bitcoin, reforçando a visão de ambos como reserva alternativa de valor (ativos usados para proteger patrimônio), principalmente em períodos de maior risco soberano (risco ligado a governos e dívidas públicas) e geopolítico.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve um tom cauteloso na reunião de junho, citando preocupações com a inflação e a desaceleração do crescimento. A reunião ocorreu durante o conflito no Oriente Médio, que depois arrefeceu, reduzindo parte dos riscos. Ao mesmo tempo, dados melhores da China trouxeram um otimismo moderado ao sentimento do mercado.

Os mercados seguem muito sensíveis ao cenário geopolítico. Com o governo Trump voltando a dar ênfase a tarifas e o prazo de 9 de julho para acordos comerciais se aproximando, a volatilidade (oscilações fortes de preço) pode continuar durante o verão no Hemisfério Norte, período em que o volume de negociações costuma ser menor.

Forex

O dólar americano seguiu em queda em junho, com inflação abaixo do esperado e o fim do conflito entre Israel e Irã aumentando a expectativa de novos cortes de juros pelo Fed ainda em 2025.

Embora o Fed tenha mantido cautela na reunião de junho, isso ocorreu no auge da tensão no Oriente Médio, quando as preocupações com a alta do petróleo estavam mais fortes.

Moedas consideradas porto seguro, como iene japonês (JPY) e franco suíço (CHF), começaram firmes, mas depois perderam força com a redução das tensões.

Ainda há preocupação com o efeito inflacionário de novas altas de tarifas, especialmente se as tensões comerciais dos EUA com a China ou a União Europeia aumentarem. Em julho, o foco pode voltar para esses pontos de risco, levando a posições mais defensivas nos principais pares de moedas (combinações como EUR/USD).

Fig. 1: Gráfico semanal do DXY (índice do dólar, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas) mostrando nova fraqueza em junho, com negociações abaixo da faixa de 99,50–101,00.

Ouro e Prata

O ouro ficou em movimento lateral em junho, refletindo a disputa entre menor risco geopolítico e incerteza macroeconômica (condições gerais da economia, como crescimento, inflação e juros).

Após subir com o início do conflito entre Israel e Irã — por ser um ativo de proteção — o ouro recuou da máxima de US$ 3.451 por onça (medida padrão do metal) quando o cessar-fogo foi alcançado e a busca por risco voltou.

O ouro segue importante como proteção contra choques de inflação. Uma nova escalada de tarifas pode elevar o preço do metal, com investidores buscando ativos defensivos (mais resistentes em cenários de estresse).

A prata disparou em junho após dados positivos de vendas no varejo e produção industrial na China. Medidas de estímulo do governo chinês sustentaram um otimismo moderado para a demanda por prata em setores como energia solar, veículos elétricos (EVs, carros elétricos) e eletrônicos.

Em julho, o mercado deve acompanhar de perto as notícias sobre tarifas, principalmente possíveis retaliações (respostas) da China e da União Europeia. Os principais vetores para ouro e prata incluem PMI (índice de gerentes de compras, um termômetro de atividade econômica) e dados industriais da China, EUA e UE, além de números de inflação e comentários do Fed.

Fig. 2: Gráfico mensal da prata mostrando rompimento (movimento acima de um nível importante) para patamares não vistos desde 2012.

Petróleo

O petróleo foi um dos ativos mais voláteis em junho, com a guerra entre Israel e Irã elevando o temor de interrupção na oferta global.

O mercado temia que a alta do petróleo e uma escalada do conflito — especialmente um fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — provocassem uma nova rodada de inflação na economia global.

O cessar-fogo trouxe alívio rápido, com o preço voltando para abaixo de US$ 65 por barril. A queda também refletiu fatores de oferta e demanda, incluindo a decisão da OPEP+ de aumentar a produção em 411 mil barris por dia a partir de agosto.

Fig. 3: Gráfico diário do petróleo mostrando picos rápidos até US$ 75–US$ 78, antes de estabilizar perto de US$ 65 após o cessar-fogo.

Índices

Os índices de ações dos EUA seguiram resilientes apesar das tensões geopolíticas, do crescimento mais fraco do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas) e das preocupações com inflação.

Após uma queda pequena no começo do conflito entre Israel e Irã, S&P 500 e Nasdaq reagiram com força, renovaram recordes e recuperaram totalmente as perdas ligadas às tarifas do “Dia da Libertação” anunciadas por Trump.

Com a temporada de resultados se aproximando, investidores devem observar os efeitos das mudanças na política comercial sobre as empresas. Alguns setores podem mostrar sinais iniciais de pressão — ou de melhora — com o novo cenário econômico.

Os principais direcionadores continuam sendo o CPI (índice de preços ao consumidor, um dos principais medidores de inflação), o consumo das famílias, decisões do FOMC (comitê do Fed que define os juros) e a força do mercado de trabalho.

Fig. 4: Gráfico diário do Nasdaq mostrando rompimento para novas máximas históricas.

Cripto

Os criptoativos tiveram forte volatilidade em junho, com queda inicial quando a tensão geopolítica aumentou. O Bitcoin chegou a cair abaixo de US$ 106 mil, enquanto o Ethereum perdeu um nível importante de suporte (faixa de preço onde costuma aparecer compra) após o ataque aéreo de Israel ao Irã.

Depois do cessar-fogo, o sentimento melhorou. O Bitcoin voltou rápido para acima de US$ 106 mil, e o Ethereum subiu 9%, para US$ 2.420. A Solana também avançou, com especulação sobre possíveis aprovações de ETF (fundo negociado em bolsa, que permite investir no ativo de forma mais simples na bolsa) e maior aceitação das criptos no mercado financeiro tradicional.

Fig. 5: Gráfico diário do Bitcoin destacando oscilações fortes durante o conflito no Oriente Médio e as mudanças na política comercial.

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